quinta-feira, 4 de outubro de 2012
Índice de Liberdade de Imprensa
Primeiros lugares no índice 2011-2012 de Liberdade de Imprensa, elaborado pelos Repórteres sem Fronteiras: Finlândia, Noruega, Estónia, Holanda, Áustria, Islândia,
Luxemburgo, Suíça, Cabo Verde, Canadá, Dinamarca, Suécia e Nova Zelândia.
O Japão aparece no vigésimo segundo lugar, o Reino Unido no vigésimo oitavo, a Austrália no trigésimo e Portugal no trigésimo terceiro.
domingo, 23 de setembro de 2012
Uma crise com muito mais de oito anos
"A situação financeira das famílias portuguesas encontra-se ao seu mais baixo nível dos últimos quatro anos. O Presidente da República colocou o dedo na ferida. É necessário remodelar profundamente o Governo. Ou dissolver a Assembleia da República e convocar eleições gerais antecipadas. Isto assim não pode ser. Isto assim não pode continuar. O nível de revolta aumenta dia a dia. Sufoca-se neste país.
"A saúde é um desastre. Morre-se nas urgências dos hospitais. Espera-se mais de sete semanas para se marcar certos exames médicos. Estamos fartos!".
Jorge Heitor 5 de Janeiro de 2008 -- Isto escrevia eu no blog Comunidades no início do ano de 2008; e o problema não perdeu actualidade.
A situação financeira das famílias portuguesas encontra-se agora ao seu mais baixo nível dos últimos oito anos e meio. As eleições dos últimos anos de nada serviram. Isto assim continua a não poder ser; o nível de revolta é generalizado. Só que uns o expressam de forma mais violenta, nas ruas, e outros o fazem sobretudo nos escritos, como esta nota que aqui deixo.
O que me importa sobretudo sublinha é que o problema não é de modo algum de há 12 ou 15 meses. Antes se arrasta há muito mais de oito anos, com a generalidade da população portuguesa a viver hoje bem pior do que vivia em 2003.
É muito, muito urgente, que não se tomem apenas algumas medidas pontuais, pois que o que o que interessa verdadeiramente fazer é uma reestruturação das mentalidades e dos modos de estar. JH
terça-feira, 18 de setembro de 2012
Exmo. Senhor Primeiro Ministro
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Hesitei muito em dirigir-lhe estas palavras, que mais não dão do que uma pálida ideia da onda de indignação que varre o país, de norte a sul, e de leste a oeste. Além do mais, não é meu costume nem vocação escrever coisas de cariz político, mais me inclinando para o pelouro cultural. Mas há momentos em que, mesmo que não vamos nós ao encontro da política, vem ela, irresistivelmente, ao nosso encontro. E, então, não há que fugir-lhe.
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Para ser inteiramente franco, escrevo-lhe, não tanto por acreditar que vá ter em V. Exa. qualquer efeito – todo o vosso comportamento, neste primeiro ano de governo, traindo, inescrupulosamente, todas as promessas feitas em campanha eleitoral, não convida à esperança numa reviravolta! – mas, antes, para ficar de bem com a minha consciência. Tenho 82 anos e pouco me restará de vida, o que significa que, a mim, já pouco mal poderá infligir V. Exa. e o algum que me inflija será sempre de curta duração. É aquilo a que costumo chamar “as vantagens do túmulo” ou, se preferir, a coragem que dá a proximidade do túmulo. Tanto o que me dê como o que me tire será sempre de curta duração. Não será, pois, de mim que falo, mesmo quando use, na frase, o “odioso eu”, a que aludia Pascal.
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Mas tenho, como disse, 82 anos e, portanto, uma alongada e bem vivida experiência da velhice – da minha e da dos meus amigos e familiares. A velhice é um pouco – ou é muito – a experiência de uma contínua e ininterrupta perda de poderes. “Desistir é a derradeira tragédia”, disse um escritor pouco conhecido. Desistir é aquilo que vão fazendo, sem cessar, os que envelhecem. Desistir, palavra horrível. Estamos no verão, no momento em que escrevo isto, e acorrem-me as palavras tremendas de um grande poeta inglês do século XX (Eliot): “Um velho, num mês de secura”... A velhice, encarquilhando-se, no meio da desolação e da secura. É para isto que servem os poetas: para encontrarem, em poucas palavras, a medalha eficaz e definitiva para uma situação, uma visão, uma emoção ou uma ideia.
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A velhice, Senhor Primeiro Ministro, é, com as dores que arrasta – as físicas, as emotivas e as morais – um período bem difícil de atravessar. Já alguém a definiu como o departamento dos doentes externos do Purgatório. E uma grande contista da Nova Zelândia, que dava pelo nome de Katherine Mansfield, com a afinada sensibilidade e sabedoria da vida, de que V. Exa. e o seu governo parecem ter défice, observou, num dos contos singulares do seu belíssimo livro intitulado “The Garden Party”: “O velho Sr. Neave achava-se demasiado velho para a primavera.” Ser velho é também isto: acharmos que a primavera já não é para nós, que não temos direito a ela, que estamos a mais, dentro dela... Já foi nossa, já, de certo modo, nos definiu. Hoje, não. Hoje, sentimos que já não interessamos, que, até, incomodamos.
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Todo o discurso político de V. Exas., os do governo, todas as vossas decisões apontam na mesma direcção: mandar-nos para o cimo da montanha, embrulhados em metade de uma velha manta, à espera de que o urso lendário (ou o frio) venha tomar conta de nós. Cortam-nos tudo, o conforto, o direito de nos sentirmos, não digo amados (seria muito), mas, de algum modo, utilizáveis: sempre temos umas pitadas de sabedoria caseira a propiciar aos mais estouvados e impulsivos da nova casta que nos assola. Mas não. Pessoas, como eu, estiveram, até depois dos 65 anos, sem gastar um tostão ao Estado, com a sua saúde ou com a falta dela. Sempre, no entanto, descontando uma fatia pesada do seu salário, para uma ADSE, que talvez nos fosse útil, num período de necessidade, que se foi desejando longínquo.
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Chegado, já sobre o tarde, o momento de alguma necessidade, tudo nos é retirado, sem uma atenção, pequena que fosse, ao contrato anteriormente firmado. É quando mais necessitamos, para lutar contra a doença, contra a dor e contra o isolamento gradativamente crescente, que nos constituímos em alvo favorito do tiroteio fiscal: subsídios (que não passavam de uma forma de disfarçar a incompetência salarial), comparticipações nos custos da saúde, actualizações salariais – tudo pela borda fora. Incluindo, também, esse papel embaraçoso que é a Constituição, particularmente odiada por estes novos fundibulários. O que é preciso é salvar os ricos, os bancos, que andaram a brincar à Dona Branca com o nosso dinheiro e as empresas de tubarões, que enriquecem sem arriscar um cabelo, em simbiose sinistra com um Estado que dá o que não é dele e paga o que diz não ter,para que eles enriqueçam mais, passando a fruir o que também não é deles, porque até é nosso.
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Já alguém, aludindo à mesma falta de sensibilidade de que V. Exa. dá provas, em relação à velhice e aos seus poderes decrescentes e mal apoiados, sugeriu, com humor ferino, que se atirassem os velhos e os reformados para asilos desguarnecidos , situados, de preferência, em andares altos de prédios muito altos: de um 14.º andar, explicava, a desolação que se contempla até passa por paisagem. V. Exa. e os do seu governo exibem uma sensibilidade muito, mas mesmo muito, neste gosto. V. Exas. transformam a velhice num crime punível pela medida grande. As políticas radicais de V. Exa. e do seu robótico Ministro das Finanças - sim, porque a Troika informou que as políticas são vossas e não deles... – têm levado a isto: a uma total anestesia das antenas sociais ou simplesmente humanas, que caracterizam aqueles grandes políticos e estadistas que a História não confina a míseras notas de pé de página.
Falei da velhice porque é o pelouro que, de momento, tenho mais à mão. Mas o sofrimento devastador, que o fundamentalismo ideológico de V. Exa. está desencadear pelo país fora, afecta muito mais do que a fatia dos velhos e reformados. Jovens sem emprego e sem futuro à vista, homens e mulheres de todas as idades e de todos os caminhos da vida – tudo é queimado no altar ideológico onde arde a chama de um dogma cego à fria realidade dos factos e dos resultados. Dizia Joan Ruddock não acreditar que radicalismo e bom senso fossem incompatíveis. V. Exa. e o seu governo provam que o são: não há forma de conviverem pacificamente. Nisto, estou muito de acordo com a sensatez do antigo ministro conservador inglês, Francis Pym, que teve a ousadia de avisar a Primeira Ministra Margaret Thatcher (uma expoente do extremismo neoliberal), nestes termos: “Extremismo e conservantismo são termos contraditórios”. Pym pagou, é claro, a factura: se a memória me não engana, foi o primeiro membro do primeiro governo de Thatcher a ser despedido, sem apelo nem agravo. A “conservadora” Margaret Thatcher – como o “conservador” Passos Coelho – quis misturar água com azeite, isto é, conservantismo e extremismo. Claro que não dá.
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Alguém observava que os americanos ficavam muito admirados quando se sabiam odiados. É possível que, no governo e no partido a que V. Exa. preside, a maior parte dos seus constituintes não se aperceba bem (ou, apercebendo-se, não compreenda), de que lavra, no país, um grande incêndio de ressentimento e ódio. Darei a V. Exa. – e com isto termino – uma pista para um bom entendimento do que se está a passar. Atribuíram-se ao Papa Gregório VII estas palavras: ”Eu amei a justiça e odiei a iniquidade: por isso, morro no exílio.” Uma grande parte da população portuguesa, hoje, sente-se exilada no seu próprio país, pelo delito de pedir mais justiça e mais equidade. Tanto uma como outra se fazem, cada dia, mais invisíveis. Há nisto, é claro, um perigo.
De V. Exa., atentamente,
Eugénio Lisboa
nascido em Moçambique no ano de 1930
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
Programa da visita papal ao Líbano
Vatican City, (VIS) - Benedict XVI is to make an apostolic trip to Lebanon from 14 to 16 September in order to sign the Post-Synodal Apostolic Exhortation of the Special Assembly for the Middle East of the Synod of Bishops, which took place in the Vatican in October 2010.
The Holy Father will depart from Ciampino airport in Rome at 9.30 a.m. on Friday 14 September and land at the Rafik Hariri international airport in Beirut at 1.45 p.m. local time. Following the welcome ceremony he will travel to Harissa where he will visit the basilica of St. Paul and sign the Post-Synodal Apostolic Exhortation.
At 10 a.m. on Saturday 15 September the Pope will travel to the presidential palace at Baabda where he will pay a courtesy visit to the president of Lebanon, as well as to the prime minister and the speaker of the parliament. He will then meet with the heads of Muslim communities before going on to pronounce an address before representatives from government, State institutions, the diplomatic corps, religious leaders and the world of culture.
On the same day the Pope will have lunch at the Armenian Catholic Patriarchate of Bzommar with patriarchs and bishops of Lebanon, members of the Special Council for the Middle East of the Synod of Bishops, and the papal entourage. At 6 p.m. he is scheduled to deliver an address to young people gathered on the square in front of the Maronite Patriarchate at Bkerke.
At 10 a.m. on Sunday 16 September the Holy Father will celebrate Mass at Beirut City Centre Waterfront and consign the Post-Synodal Apostolic Exhortation. Having prayed the Angelus he will then travel by car to the apostolic nunciature at Harissa where he will have lunch with members of his entourage. At 5.15 p.m. he is due to preside at an ecumenical gathering in the Syro-Catholic Patriarchate of Charfet. From there he will travel directly to the airport of Beirut whence his return flight to Rome is due to depart at 7 p.m.
terça-feira, 21 de agosto de 2012
O Sucessor interino de Zenawi
Addis Abeba - O vice-Primeiro-ministro etíope, Hailemariam Desalegn, vai assegurar interinamente o poder na Etiópia após a morte do Primeiro-ministro Meles Zenawi, anunciou hoje (terça-feira) o governo etíope.
"Conforme à Constituição etíope, o vice-Primeiro-ministro deverá comparecer perante o Parlamento e prestar juramento", afirmou à imprensa o porta-voz do governo Bereket Simon, acrescentando que o governo está a trabalhar para que o Parlamento seja convocado "o mais rapidamente possível".
"Garanto-vos que tudo está estável", prosseguiu o porta-voz que antes havia anunciado a morte, num hospital no estrangeiro, do Primeiro-ministro, aos 57 anos.
Segundo Bereket, Meles confrontava-se com problemas de saúde "há um ano". Mas "uma das melhores coisas que ele tinha, é que nunca se considerava como doente e que estava sempre disposto a trabalhar, todos os dias e todas as noites," acrescentou.
A data das exéquias deste poderoso entre os dirigentes africanos, aliado chave dos EUA na luta contra o extremismo islamita no Corno de África, não foi anunciada.
"O processo das exéquias vai desenrolar-se segundo plano preparado por um comité que trabalha para o efeito", indicou o porta-voz. Precisou apenas que o país observará "luto nacional" até às exéquias, "em memória do Primeiro-ministro".
Portangol um portal angolano
domingo, 19 de agosto de 2012
Angola: o que escreve Rafael Marques
O jornalista e activista angolano Rafael Marques disse à Lusa que Portugal nunca quis saber do bem-estar dos angolanos e que as próximas eleições gerais servem os “interesses” de Lisboa.
“Estas eleições servem os interesses económicos dos portugueses porque esses interesses estão alicerçados na corrupção. Se o Presidente da República de Angola sai do poder, haverá em Portugal uma série de processos contra empresas portuguesas que têm feito negócios ilícitos em Angola”, disse Rafael Marques, em Luanda, contactado por telefone a partir de Lisboa.
“No meio disto tudo Portugal é um vendedor de serviços. É um país que está em situação de crise e procura vender os seus serviços a todos aqueles que têm o controlo dos fundos”, considerou o jornalista e activista angolano.
Rafael Marques é responsável pelo portal “Maka Angola”, que denuncia casos de abusos de direitos humanos e alegados casos de corrupção e suborno, que correm na justiça angolana.
“Os investimentos que têm sido feitos em Portugal, sobretudo pela família presidencial, o Manuel Vicente, o general Kopelipa [figuras de topo do regime e próximas do Presidente José Eduardo dos Santos] claramente configuram actos de branqueamento de capitais porque não podem e não têm como explicar os biliões de dólares que ali são investidos”, afirmou Rafael Marques, acrescentando que Lisboa nunca quis saber do bem-estar do povo angolano.
“Portugal nunca foi um aliado do bem-estar dos angolanos. Nunca. Portugal colonizou Angola e, durante a guerra [civil], Portugal também tudo fez para prosperar, havendo setores que apoiavam a UNITA e outros sectores que apoiavam o MPLA e vendiam armas, mesmo durante as sanções das Nações Unidas”, acusou Rafael Marques.
“Portugal nunca teve um papel de respeito na defesa do bem-estar e dignidade dos angolanos. Não se pode esperar que Portugal tenha hoje este papel. Eventualmente, terá de passar uma ou duas gerações até que surja em Portugal uma nova forma de fazer política e que olhe para Angola como uma terra de futuro e que possa desbravar novas relações, mas desta geração não se pode esperar absolutamente nada que seja benéfico para o povo angolano”, afirmou.
“Se a vontade do povo for a mudança, não haverá interesses internacionais que o impedirão, da mesma forma que se a maioria da população genuinamente decidir que este sistema endémico de corrupção é o melhor, porque permite a cada um ganhar a lotaria e ser extremamente rico da noite para o dia, então também assim será”, concluiu.
Angola realiza no dia 31 de Agosto eleições gerais, que vão definir a composição do futuro parlamento e determinar os futuros Presidente e vice-Presidente da República, por via indirecta, a partir do número um e número dois da lista do partido mais votado.
Nas legislativas de 2008, o MPLA, partido no poder desde a independência, em 1975, ganhou a votação com mais de 80 por cento dos votos. O actual Presidente da República, José Eduardo dos Santos, encabeça a lista do partido às eleições de 31 de Agosto.
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
Os demónios de Blaise Compaoré
To call Blaise Compaoré a benign dictator seems a fair description, even if he claims legitimacy through contested elections. Because Burkina Faso has generally lacked geopolitical significance, foreign powers - especially former colonial master France - have turned a blind eye on the country's democratic deficits. The murder of Thomas Sankara and the ultra-violence of the wars in Sierra Leone and Liberia are a distant memory as the region faces new challenges in the form of radical Islam, climate change, endemic poverty and potential famine.
If Compaoré manages to retain power after 2015, if he becomes a key player in cementing the peace in Cote d'Ivoire and engineering one in Mali and if he fosters further development in Burkina Faso then he may never need to invoke his amnesty clause in the constitution. He will certainly never achieve the stature of a Mandela, but he can make a positive mark on the history of West Africa in the 21st Century. If, however, the energy of the Arab spring heads south and leaders like Compaoré are forced to yield to the legitimate democratic aspirations of the people then, like Mubarak, Assad and his old friend Qhadafi he may find himself on the wrong end of a very demanding stick.
Why leaders feel they must retain power beyond what their constitution calls for is one of the perennial issues in politics. We can chalk it up to narcissism, to the need to maintain patronage networks, to a fear of prosecution, or simply to the will to power - perhaps the most potent stimulant of all.
Burkina Faso has much to be proud of as a society, but it also has a long way to go in providing a decent life for the majority of its citizens. President Compaoré still has time in his political life to lead by example and provide a blueprint for development for the region. Whether his past demons and his desire to dominate the limelight will let him is another matter.
Michael Keating (Lecturer in International Relations at the University of Massachusetts; Boston) and Coulibaly Nadoun, a Burkinabé journalist based in Ouagadougu.
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