quinta-feira, 3 de abril de 2014
Peregrinação do Santo Padre às raizes do Cristianismo
De 24 a 26 de Maio, o Papa Francisco visita algumas das terras por onde andaram Abraão e Jesus, durante uma peregrinação à Jordânia, à Palestina e a Israel, para se encontrar tanto com os dirigentes como com os cidadãos menos afortunados.
Jorge Heitor
No quinquagésimo aniversário do histórico encontro entre o Papa Paulo VI e o Patriarca Atenágoras, de Constantinopla, o chefe da Igreja Católica dirige-se a Amã, a Belém e a Jerusalém, sob o signo da maior aproximação possível com os ortodoxos.
Francisco, um dos papas mais populares deste último século, reúne-se com o Patriarca Ecuménico Bartolomeu, considerado o primeiro dos prelados ortodoxos, e com o qual deverá assinar uma declaração conjunta, no dia 25 de Maio, em Jerusalém.
"Somos chamados a ser um só; e o Papa vem recordar-nos este apelo, renovando o espírito da unidade e do amor fraternal", disse o Patriarca latino de Jerusalém, Fouad Twal, durante uma conferência de imprensa dada no dia 27 de Março.
O logotipo da peregrinação representa o abraço entre São Pedro e Santo André, padroeiros das Igrejas Católica e Ortodoxa.
O Patriarca Twal teve o cuidado de explicar que o Papa Francisco, escolhido há pouco mais de um ano, solicitou modestas cerimónias de recepção em cada um dos locais visitados, pois que de modo algum deseja que as atenções se concentrem nele mas sim naquilo que representa e na missão que o leva até às populações.
Com os reis da Jordânia
Dia 24, em Amã, aquele que foi o cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio reúne-se com os reis da Jordânia, Abdullah II e Rania, que já no Verão passado o visitaram no Vaticano e que de igual modo haviam recebido o seu antecessor, Bento XVI. No dia a seguir, em Belém, na Cisjordânia, o Papa reúne-se com o Presidente da Palestina, Mahmou Abbas. E em 26, na cidade fde Jerusalém, sucessivamente com o idoso Presidente israelita Shimon Peres e com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
Na Jordânia, a leste do rio Jordão, Francisco reúne-se com refugiados e com jovens deficientes, de modo a vincar bem que os que mais sofrem se encontram sempre no seu coração e nas preocupações da Santa Madre Igreja. Em Belém almoça com famílias palestinianas no convento franciscano Casa Nova, depois do que recebe crianças dos acampamentos de refugiados Dehiyshe, Aida e Beit Jibrin, no Centro Phoenix do primeiro daqueles acampamentos.
Sua Santidade celebra duas missas públicas durante a sua peregrinação à Terra Santa: no estádio internacional de Amã e na Praça da Manjedoura, em Belém, esperando que cristãos da Faixa de Gaza sejam autorizados a viajar até à cidade onde nasceu Jesus. E haverá um lugar reservado para os cristãos da Galileia, a região onde Cristo foi criado, na cidade de Nazaré.
A convite de Sua Majestade
É em resposta a um convite do rei Abdullah II que o Papa Francisco I visita oficialmente a Jordânia, país muçulmano que sempre tem mantido muito boas relações com a Santa Sé.
A visita foi considerada pelo reino hachemita um importante passo para fomentar a fraternidade e a tolerância entre muçulmanos e cristãos, bem como para propagar a mensagem de paz que é apanágio de todas as regiões monoteístas.
Durante a sua estada, o chefe dos católicos debaterá com o rei Abdullah II as relações entre a Jordânia e o Vaticano, bem como alguns assuntos relacionados com a promoção da fraternidade e do diálogo essenciais para a coexistência islâmico-cristã; e em cima da mesa estarão também os mais recente desenvolvimentos no Médio Oriente.
Em Agosto do ano passado, o Papa Francisco manifestou-se tão encantado com os soberanos jordanos que, rompendo o protocolo, se inclinou respeitosamente perante a rainha Rania Al Abdullah, em vez de ter sido ela a fazer uma genuflexão perante ele.
Esta visita pontifícia ao Reino da Jordânia é já a quarta em meio século, tudo tendo começado quando em 1964 Paulo VI se
deslocou tanto aí como à Palestina, que nos tempos do Novo Testamento englobava os território de Galileia, Decápolis, Samaria, Pereia, Judeia e Idumeia. A segunda foi a do Papa João Paulo II, no ano 2000, e a terceira a do Papa Bento XVI, em 2009.
de imprensa na sede do Patriarcado.
14 intervenções
A agenda da peregrinação de Maio prevê 14 intervenções de Sua Santidade, entre homilias e discursos, bem como a assinatura da declaração conjunta com o Patriarca de Constantinopla, Bartolomeu, a assinalar o 50 anos do encontro entre Paulo VI e Atenágoras.
Na Terra Santa, o Papa vai visitar, entre outros, o Santo Sepulcro, o memorial do Holocausto ,‘Yad Vashem’, o Muro das Lamentações e a Esplanada das Mesquitas.
Partindo do aeroporto de Fiumicino, em Roma, o Papa chega ao princípio da tarde de dia 24 ao Aeroporto Internacional Rainha Alia, em Amã, e dirige-se ao palácio real, para uma troca de impressões com os soberanos, depois do que preside à missa no estádio internacional.
Mais tarde, em Betânia, no local onde Jesus Cristo foi baptizado por João (enquanto o Epírito Santo descia sobre ele), à beira do rio Jordão, Francisco reúne-se com refugiados da martirizada Síria e com jovens deficientes.
Na Jordânia, em Amã, primeira etapa da viagem apostólica, o Papa vai reunir-se com o rei Abdullah e Rania.
Visita a Mahmoud Abbas
O domingo 25 de Maio começa com uma viagem de helicóptero até Belém, para uma visita ao Presidente do Estado da Palestina, Abu Mazen, sou Mahmoud Abbas, seguida da Missa na Praça da Mangedoura.
Depois do almoço com famílias palestinianas no convento Casa Nova, o Papa fará uma visita privada à Gruta da Natividade, local do nascimento de Jesus Cristo ("E tu, Bethleém, terra de Judá, de modo nenhum és a menor entre as capitais de Judá; porque de ti sairá o Guia que há-de apascentar o meu povo de Israel", São Mateus 2,6).
Na sequência do encontro com as crianças dos campos de refugiados de Dheisheh, Aida e Beit Jibrin, o antigo arcebispo de Buenos Aires parte de helicóptero para o Aeroporto Internacional Ben Gurion, em Telavive, onde discursa, antes de retomar o helicóptero, para Jerusalém.
Esta escala em Telavive é como que uma preciosidade diplomática. O Papa evita começar a visita a Israel pela cidade de Jerusalém, de modo a não chocar as susceptibilidades árabes, uma vez que os muçulmanos não reconhecem Jerusalém como capital israelita.
O último dia da viagem, 26 de Maio, principia com visitas ao grande mufti de Jerusalém, na Esplanada das Mesquitas, e ao Muro das Lamentações, seguindo-se a deposição de flores no Monte Herzl, o cemitério nacional de Israel.
O Papa Francisco vai discursar, depois, no mausoléu do Yad Vashem de Jerusalém, em memória das vítimas do Holocausto, visitando, em seguida, os dois grãos-rabinos de Israel, no centro He,ichal Shlomo.
O encontro com o Presidente de Israel, Shimon Peres, é no palácio presidencial, e a reunião com o primeiro-ministro Benyamin Netanyahu no centro Notre Dame.
No Monte das Oliveiras
A parte final da agenda vai decorrer no Monte das Oliveiras e inclui uma nova visita ao patriarca Bartolomeu, um encontro com o clero e religiosos católicos e a última Missa, com os bispos da Terra Santa, na sala do Cenáculo, em Jerusalém.
Toda a peregrinação deverá ser entendida como um grande apelo à paz, especialmente dirigido a palestinianos, israelitas, sírios e outros povos do Médio Oriente.
Os cristãos árabes necessitam enormemente do encorajamento pontifício, uma vez que o seu número continua a diminuir, devido à violência e às dificuldades económicas, que muitas vezes os fazem emigrar para longes terras.
"Como é grande a sua preocupação connosco. Creio que nos pedirá para sermos corajosos e para permanecermos", disse o Patriarca Twal, que é jordano. "Ficar nesta terra, viver nesta terra: vale a pena permanecer na Terra Santa, sofrer e morrer por ela".
Os cristãos do Médio Oriente são uma comunidade muito antiga, bem mais antiga do que a população muçulmana. Mas no Iraque, Síria, Egipto, Líbano e Palestina têm sido cada vez mais intimidados e assassinados, no meio de múltiplas convulsões.
O drama sírio
Um dos grandes dramas a ter em conta nesta ocasião é precisamente que o número de refugiados sírios ultrapassou, só no Líbano, o "número devastador" de um milhão, conforme referiu a ONU nos primeiros dias de Abril.
O Líbano tem agora a mais elevada concentração de refugiados per capita de todo o mundo e este é um dos assuntos a ter em conta durante as conversações do Papa Francisco com as autoridades da Jordânia, da Palestina e de Israel, pois que isto desestabiliza profundamente um já de si muito frágil ponto do globo.
Para além das suas muitas dificuldades internas, o pequeno Líbano tem agora às costas este gigantesco problema. Nove milhões e meio de sírios fugiram das suas casas desde o início do terrível conflito, tendo mais de dois milhões e meio deixado mesmo o país, indo para o Líbano, a Turquia, a Jordânia, o Iraque, o Egipto e outras paragens.
Como o mundo não é feito de compartimentos estanques, quando nos debruçamos sobre a peregrinação papal à Terra Santa temos forçosamente de ter em conta que um quarto da população do Líbano é nesta altura constituída por refugiados sírios, o que se repercute de modo assaz grave em todas as questões do Médio Oriente.
Pluralismo religioso
A visita do Papa Francisco destina-se a consolidar as boas relações que devem forçosamente existir entre muçulmanos e cristãos, bem como a contribuir para intensificar todos os apelos que têm vindo a ser feitos no sentido do respeito mútuo e do renovar de esforços no sentido de que se respeite o pluralismo religioso. Os crentes das diferentes religiões devem cooperar entre si, muito ninguém tem o direito de entender que a sua fé é mais importante ou mais justificável do que as demais.
"Necessitamos que o Papa traga paz a Jerusalém", disse por exemplo Mary Yadi, que é natural dessa cidade mas está a viver na paróquia de São José, em Amã. "O mundo necessita desesperadamente de paz. São precisas mais orações para que aconteça qualquer coisa de positivo".
Os católicos, os ortodoxos e os muçulmanos moderados, como o é o rei Abdullah II da Jordânia, tudo devem fazer para que todos aqueles que acreditam num só Deus contribuam para um mundo melhor, muito mais justo.
O actual Papa, tão conhecido pela sua simplicidade e humildade, ao estilo de São Francisco de Assis, aproveitará todo o tempo da sua peregrinação para se manter em espírito com o povo sírio, já que as circunstância não permitem de momento a sua tão desejada deslocação a Damasco.
A Síria e o Líbano acompanharão a par e passo tudo o que Francisco I fizer para minorar o sofrimento de todo o Médio Oriente, uma das mais conturbadas regiões do globo.
Todos terão em conta que se trata de um verdadeiro regresso às raízes do Cristianismo; às terras por onde andaram Jesus Cristo, Pedro e Paulo, fundando uma religião que hoje em dias não tem nelas o lugar que seria lógico ocupar.
No entender do jesuíta norte-americano Alfred J. Hicks, que desde há décadas presta serviço no Médio Oriente, primeiro no Iraque e depois na Jordânia, Francisco I "foi enviado pelo Espírito Santo para reformar a Igreja". E essa reforma tanto poderá ser feita em Roma como noutras paragens.
Milhões de refugiados
Tal como o Líbano, também a Jordânia conta hoje em dia com pelo menos um milhão de refugiados sírios, de modo que todos nós devemos compreender muito bem que a peregrinação pontifícia decorre num contexto geopolítico bastante complexo, que não poderá arrastar-se por muito mais tempo.
A excepcional abertura que ao longo dos tempos a Jordânia tem demonstrado para com os refugiados, sejam eles palestinianos, iraquianos ou sírios, justifica bem que o Papa comece em Amã o seu périplo de três dias. Até porque entre os actuais refugiados há 17 mil cristãos sírios, uma parte dos quais a caminho do Ocidente, dada a dificuldade de permanência nas terras onde deveriam estar, por serem as terras onde nasceu a sua religião.
A Santa Sé reforça nesta viagem os seus laços diplomáticos com a Jordânia, a Palestina e Israel, na prossecução de uma geopolítica que anda de mão dada com os mais profundos sentimentos humanitários, de modo a que não se diga que a Igreja Católica está a perder grande parte da influência que teve outrora nos assuntos mundiais.
quarta-feira, 2 de abril de 2014
MH370: Entra em acção um submarino britânico
A British submarine has joined the hunt for the missing Malaysia Airlines plane in the Indian Ocean and will try to detect pings from the aircraft's black box, adding to a growing search contingent that includes the private jet of film director Peter Jackson.
As Malaysian police warned the mystery of the plane's disappearance may never be solved, the Ministry of Defence revealed that HMS Tireless, a Trafalgar-class nuclear submarine, had arrived in the search zone and was due to begin searching on Wednesday.
Philip Hammond, the Defence Secretary, informed Hishammuddin Hussein, his Malaysian counterpart, about the deployment during a phone discussion on Tuesday night.
The submarine will have just days to detect pings from the black box before the pinger's 30-day batteries run out of life.
The Royal Navy ship HMS Echo, which can help to survey the ocean floor, was also due to begin searching, joining ten planes and eight other ships in a search zone west of Perth.
The multinational contingent also now includes a Gulfstream G650 owned by Mr Jackson, the Oscar-award winning director of The Hobbit and Lord of the Rings trilogies, New Zealand media reported. Mr Jackson approved the jet's use but it was reportedly chartered rather than donated.
No wreckage has yet been found from the plane since it disappeared with 239 passengers aboard on March 8.
Australian authorities said the search on Wednesday would cover an area of about 85,000 square miles but was facing heavy weather including "sea fog and isolated thunderstorms".
Families of some of the 153 Chinese passengers on the plane have travelled to Kuala Lumpur to demand that the government "reveal the truth" and have held a three-hour meeting with Malaysian aviation authorities.
Though some of the families have refused to give up hope of survivors, lawyers from a United States firm have swooped on the relatives at their hotels in Kuala Lumpur and Beijing to make pitches for a looming legal suit over the apparent crash.
Ribbeck Law, a Chicago-based firm which has acted in numerous plane crash lawsuits, has sent employees to Beijing and to Kuala Lumpur. The firm has already tried to force Boeing to produce documents but the petition was dismissed by a court in Illinois.
Malaysian police said a criminal investigation into the crash was ongoing but warned the cause may never be uncovered.
Khalid Abu Bakar, the police chief, said officers have interviewed 170 witnesses but the investigation could "go on and on and on".
"There are still more people we need to interview," he said.
"We have to clear every little thing... At the end of the investigations, we may not even know the real cause."
Authorities believe the disabling of the plane's communications systems and the strange turn westward shortly after take-off were deliberate. The police investigation has focused on Zaharie Ahmad Shah, the pilot, and Fariq Abdul Hamid, the co-pilot, but nothing suspicious about them or any other passengers has yet been found.
The Telegraph
terça-feira, 1 de abril de 2014
Excerto da epopeia suméria Gilgamesh, escrita em acádio
Quand revint le jour
Gilgamesh pleura sur le corps de son ami.
Oh toi mon ami, Enkidou,
toi qui à pour mère la gazelle
et pour père l'âne sauvage,
toi que les onagres ont nourri de leur lait,
que les cèdres te pleurent, et le jour et la nuit !
Que te pleurent les hautes cimes des montagnes,
que te pleurent les prairies
que te pleurent les ours
et que te pleurent les tigres
et les lions et les cerfs
et toutes les bêtes sauvages !
Que te pleure le fleuve.
Que te pleurent les laboureurs
et que te pleurent les artisans.
Et moi je me lamente.
Tu étais le secours de mon bras
un épée à ma ceinture
mon bouclier.
Oh mon ami
un mal étrange à moi t'a ravi
et tu ne m'entends plus.
Alors Gilgamesh
telle une lionne à qui on a pris ses petits
enleva ses riches vêtements,
les jeta loin de lui,
se vêtit de peaux de bêtes
et s'en alla au désert.
domingo, 23 de março de 2014
O cansaço do homem que envelhece
Já é tarde, muito tarde, para tanta coisa que eu poderia/desejaria ter feito na vida e que não fiz.
Já é tarde, muito tarde, para a concretização dos sonhos.
Distraímo-nos, perdemos oportunidades, e quando damos por nós já é tarde, muito tarde; já se passaram mais de dois terços do nosso existir...e apenas nos restam alguns anos mais.
Já é tarde, muito tarde; e nós sem forças, para os sete, 10, 12 anos que nos restam. 23 de Março de 2014
quinta-feira, 13 de março de 2014
Serra Leoa: Morte de antigo Presidente Tejan-Kabbah
Sierra Leone's ex-president and war-time leader Ahmed Tejan Kabbah has died at the age of 82 after a long illness.
Mr Kabbah's then-deputy, Solomon Berewa, and a relative confirmed his death, Sierra Leonean journalist Umaru Fofana told the BBC.
Mr Kabbah was praised for his leadership during Sierra's Leone's decade-long civil war.
The conflict officially ended in 2002 after foreign forces intervened to help defeat rebels.
Mr Kabbah's death has not yet been officially announced, Mr Fofana told BBC Focus on Africa. However, a distraught relative told him that Mr Kabbah had died, Mr Fofana says.
Mr Berewa had gone to Mr Kabbah's home in the capital, Freetown, after learning of the ex-president's death, he adds.
BBC
terça-feira, 11 de março de 2014
Carta a Belmiro de Azevedo
Meu caro Belmiro de Azevedo;
Eu sei que não vai ler isto, sei que nem vai querer saber do que lhe escrevo, mas eu atrevo-me a escrever na mesma, sempre na esperança que este pequeno espaço chegue a si, e recorde-lhe a ingratidão que tem perante os que trabalham.
Quase fomos camaradas, ou já não se lembra dos tempos em que era da UDP? Em que era "improdutivo". Eu sou do Bloco hoje, e você foi da UDP de ontem, já imaginou se nós pudéssemos cruzar-nos numa Convenção? Talvez, quem sabe, não fosse tão ingrato com os trabalhadores, que hoje, numa atitude desprovida de sentimento, chama de "improdutivos".
Não é a primeira vez, que nessa sua confusão mental, insulta os portugueses com palavras inapropriadas para o tempo. É sistemática a ofensa barata a quem tudo deve, pois se a sua fortuna aumentou, se o seu nome está na revista "Forbes" entre os homens mais ricos do planeta, é a estes portugueses a que se "diverte" ofender diariamente que o deve. Os seus insultos levam-me a questionar o seu passado, que é conhecido de todos nós, improdutivos. Um passado tão estranho e tão "sujo" moralmente, que quando o ouço a falar de sucesso, tenho vontade de dar gargalhadas a tanta hipocrisia.
Tenho 27 anos, mas recordo-me bem do tempo em que as pessoas que insulta agora, o olhavam com olhos de orgulho nacional, parecia que dava gosto de dizer que era um empresário de sucesso, uma espécie de orgulho nacional. Na verdade, não posso lhe tirar o mérito de todo o "sucesso" que teve, mas questiono o custo desse sucesso, e a única ideia que me atravessa a mente, improdutiva, é o insucesso de muitos daqueles, que durante décadas, foram destruídos por esse louvado sucesso. Esse sucesso, em grande parte, tem um nome, são trabalhadores da SONAE, aqueles que hoje elegantemente apelidou de … improdutivos. Mas de quem é a culpa dessa pouca produção? É sua amigo, sem duvida, sua. E sabe porque é que é sua essa culpa? Porque no final do mês insulta os seus funcionários com vencimentos de miséria, a que chama salários, e eles, muito bem, pagam-lhe com pouca produtividade, ou então, com a produtividade que os meios obsoletos permitem.
Consta que no seu passado "passou a perna" aos seus colegas da SONAE. Não desta SONAE dos supermercados, mas daquela dos termolaminados, do Banco Pinto Magalhães (processo que parece ainda não estar bem explicado), ex colegas seus, acusam-no de ter adquirido à custa de uma greve, em que eles foram crédulos na sua palavra, a empresa que era de... todos os improdutivos, incluindo-o a si. Segundo os testemunhos, sejam eles boatos ou não (mas num boato existe sempre um fundamento de verdade), afirma-se que se autoproclamou “Chefe” da Comissão de trabalhadores, porque eles lhe davam essa confiança, e negociou, não a empresa de todos, mas o seu futuro. Foram aqueles trabalhadores, que no passado e no engano, lhe chegou às mãos o inicio dessa fortuna que tem hoje. Eu quero crer que se nada tivesse acontecido naquela altura, hoje era apenas reformado de uma empresa, ou e quem sabe, ainda ex. dirigente sindical. Mas o que eu vejo, é apenas um homem de fraca memória do seu passado e do seu presente, talvez com bastante confusão gerada pela idade já avançada, a falar de "barriga cheia".
Falar de aumentos salariais é prova que já não consegue prosseguir com um pensamento coeso, sinal de instabilidade cerebral, já alguma vez se questionou à quanto tempo não aumenta os salários dos seus funcionários? É claro que estou a falar dos que trabalham regularmente, não daqueles que estão na tua empresa a parasitar, fazendo figura idêntica ao patrão, administradores e directores, pessoas que nunca “sujaram” as mãos no trabalho. Esses são como tu, esperam sempre ganhar à conta dos funcionários e do seu trabalho "escravo", estou a falar daqueles miúdos que andam a por produtos nas prateleiras, até "lixarem" as costas, aquelas miúdas giras que são caixas, aqueles que estão atrás dos balcões a vender às comissões, aqueles que sujam as mãos com o trabalho, que levam-lhe a si, e à sua equipa de "mandriões" (palavra utilizada por Belmiro para aguçar) excelentes lucros. A esses não aumentou, em troca distribui honrosos prémios aos amigos administradores, que não mexem um musculo, que ficam obesos de tão pouco se mexerem, e aos amigos directores que distribuem aos amigos chefes intermédios, dá prémios ao seu miúdo, como fosse ainda um catraio de mesada. Enquanto isso, aos filhos do outros, quem sabe daqueles que "passou" a perna, não dá nada, só trabalho intenso e de escravo.
Sabe, Belmiro, até compreendo quando pagas mal, pensa que eles, tal como o Belmiro, vão por o dinheiro à Holanda para que a Troika (que tanto abençoou) não lhe "meta as mãos", mas não meu caro Belmiro, nada disso, os seus trabalhadores não podem fazer esses truques, eles, com aquilo que paga, têm de pagar as contas sem desconto ou abatimento no IRS, sim, porque você é beneficiário desses abatimentos, graças a uma tal fundação que está em seu nome, coisas das finanças!
Não quero que pense diferente, caro Belmiro, nem quero que se mate a pensar nisto que lhe disse (se tiver tempo para ler), só lhe peço que se cale de vez em quando, ou então penses antes de falar algo que o "suje" mais perante a sociedade, e faça que os seus funcionários percam o respeito por si, que creio já não ser muito.
Mas quero-lhe relembra Belmiro, são os "improdutivos" que vão comprar produtos ao Continente, Worten, Sport Zone e inúmeras empresas que o Belmiro tem, são os tais improdutivos que colocam dinheiro na sua empresa a comprar obrigações, são os improdutivos que compram telemóveis e carregam-nos deixando dinheiro na sua empresa. Se acha pouco? Sabes, é que se está tão bem na vida, que lhe permite debitar asneiras, agradeça aos improdutivos que deixam todos os dias parte da miséria de salários, que você e os seus camarada empresários paga, na sua empresa.
Não queira ser mais papista que o papa, resuma-se à sua insignificância como gente e mesquinhes mental, eu e os improdutivos, os que fazem o circo, os palhaços e outros que abertamente insulta, agradecemos.
Sem mais cumprimentos
publicado por Sandro Rodrigues
sexta-feira, 7 de março de 2014
Quase, de Mário de Sá Carneiro
Um pouco mais de sol - eu era brasa.
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Nm baixo mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dor! - quase vivido...
Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim - quase a expansão...
Mas na minh'alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!
De tudo houve um começo... e tudo errou...
- Ai a dor de ser-quase, dor sem fim... -
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se elançou mas não voou...
Momentos de alma que desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar....
Ânsias que foram mas que não fixei...
Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios...
Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...
.........................................
.........................................
Um pouco mais de sol - e fora brasa,
Um pouco mais de azul - e fora além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
Mário de Sá Carneiro
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