sábado, 21 de abril de 2012

Bissau: a opinião de Serafim Lobato

Portugal não tem nada que se imiscuir nos assuntos internos da Guiné. Por detrás da moralidade vigarista preconizada por Portas e angolanos, a questão central são os interesses económicos, como o eram no tempo colonial. Os dirigentes angolanos estão, eles próprios, a tornar-se agentes colonialistas dos países mais fracos. Continua a existir uma mentalidade colonialista na elite dirigente do Estado português, que se arreganha por estar enquadrada pela NATO. O Portas e companhia deviam, se quiserem intervir, ser eles próprios a meter-se nos navios e irem para a frente das batalhas. E deixarem de andarem a armar-se em "heróis do mar", que nunca foram. São verdadeiros cobardolas, que aproveitam o que se está a passar na Guiné, para fazer esquecer as malfeitorias que estão praticando em Portugal. Já inquiriram, por exemplo, qual é o papel que os EUA estão a desenvolver nesta crise? Serafim Lobato, jornalista e antigo oficial das Forças Armadas Portuguesas

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Erradicar o aparelho militar guineense

"O Comando não ambiciona o poder, mas foi forçado a agir desta forma para se defender das investidas diplomáticas do Governo guineense, que visa aniquilar as Forças Armadas da Guiné-Bissau através de forças estrangeiras", assim se expressaram os golpistas guineenses.
Se "aniquilar" significa aqui desmantelar, dissolver, não é nada de mal; antes pelo contrário.
As Forças Armadas da Guiné-Bissau, tal como as conhecemos nos últimos 12 anos, não interessam a ninguém; só servem para gerar sofrimento.
A União Europeia, e depois Angola, tentaram reestruturar profundamente as Forças Armadas guineenses, eivadas de muitos vícios.
"Aniquilar" não deve ser aqui entendido no seu sentido literal, no do desejo de matar ninguém. Mas sim de acabar de uma vez por todas com uma instituição que já se revelou altamente prejudicial para o país que teoricamente deveria servir.
Estas Forças Armadas, as de António Indjai e de José Américo Bubo Na Tchuto e de Papa Camara, não interessam a ninguém. Há que desmantelá-las, sem apelo nem agravo; pois que enquanto existirem a Guiné-Bissau não conseguirá de forma alguma sair do atoleiro.
Há que remodelar profundamente, de alto a baixo, todo o aparelho militar e todo o aparelho de segurança guineenses, que tanto mal têm feito aos seus compatriotas.
"Aniquilar", desmantelar, riscar do mapa as estruturas castrenses da Guiné-Bissau é preciso, necessário e urgente. Jorge Heitor

terça-feira, 17 de abril de 2012

Filomeno Vieira Lopes de passagem pela Europa

Na sequência de uma agressão de que foi vítima na capital angolana, Luanda, Filomeno Vieira Lopes, secretário-geral do partido da oposição Bloco Democrático, viajou até à Alemanha, onde foi submetido a uma operação médica. (E depois veio para Lisboa).
No último dia 10 de março, um grupo de civis armados com catanas, barras de ferro e cabos elétricos espancaram vários cidadãos que o grupo presumia pretender realizar manifestações contra o Governo – tudo isso perante a passividade de agentes da polícia angolana. Um dos feridos no incidente foi o economista Filomeno Vieira Lopes, cujo espancamento provocou a fratura de um braço em três locais, um golpe profundo na cabeça e ferimentos por todo o corpo.
Em entrevista à DW-África, Vieira Lopes disse que saiu de Angola para fazer uma operação de rápido restabelecimento, e pricipalmente para conseguir repousar em segurança.


DW África: A operação já foi realizada?

Vieira Lopes: A operação já está feita. Estamos numa fase em que ainda não retirei os pontos. Também tenho que fazer fisioterapia e ainda não recuperei a mobilidade completa, nem na mão direita nem no braço direito. É algo que demora o seu tempo e, portanto, eu devo estar aqui mais algum tempo para uma recuperação controlada.

DW África: E por que saiu de Angola para fazer um tratamento, temia pela sua vida?

VL: Eu confio muito nos médicos angolanos e confio bastante nas instituições angolanas. Mas a análise do Bloco Democrático sobre os acontecimentos é de que efetivamente houve uma tentativa de assassínio frustrada, que pudesse prosseguir nesta senda através de outros processos. Por outro lado, houve também certa pressão da família, que me queria ver de alguma forma a ser tratado em um sítio onde pudesse gozar de alguma tranquilidade.

DW África: Já tem data para voltar a Angola? E será que regressa de forma tranquila, sem medo, para realmente enfrentar o país da forma como está?

VL: Eu não tenho ainda data marcada, mas com certeza meu regresso será em breve. Vou voltar logo que esteja em condições físicas.
Nós assumimos a posição política que assumimos e não podemos ter receio daquilo que está a acontecer. Angola tem uma história muito triste deste ponto de vista. Estamos em um ponto fundamental no país: se há ou se não há democracia, se é um país que caminha ou não para as liberdades fundamentais. E, portanto, nós vamos prosseguir naturalmente este combate com as consequências que isso possa implicar.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Guineenses contra tropas angolanas

Lisboa - Em entrevista à PNN Henrique Rosa, candidato independente às eleições presidenciais na Guiné Bissau a 18 Março, denunciou «a fraude generalizada» juntamente com os candidatos Manuel Serifo Nhamadjo, Antonio Afonso Te, Serifo Balde que apoiaram a «decisão individual» de Kumba Yala em não participar na segunda volta eleitoral face a Carlos Gomes Júnior, provocando uma nova crise politica na Guiné-Bissau.

«O processo eleitoral passou-se muito mal», disse Henrique Rosa à PNN. «A primeira anomalia foi por não ter sido efectuada um recenseamento eleitoral, impedindo milhares de jovens de votarem».
Segundo Henrique Rosa o candidato Carlos Gomes Júnior teria «utilizado abusivamente de meios materiais e humanos do Estado para a sua campanha» e afirma que a «comunicação social pública foi utilizada de forma quase privada» a favor do ex primeiro-ministro candidato às presidenciais. Henrique Rosa afirma também que durante o processo eleitoral «funcionários do Estado foram surpreendidos e apreendidos com cartões de eleitor virgens que estavam a ser emitidos no próprio dia da votação, impedindo assim que os verdadeiros eleitores pudessem votar».


Henrique Rosa apoia a decisão de Kumba Yala em não participar na segunda volta eleitoral alegando que este processo está antecipadamente viciado, e defende a realização de novas eleições após ter sido efectuado um recenseamento um processo a «lançar para Novembro/Dezembro próximos, considerando que, o período das chuvas que se avizinha, dura cerca de seis meses». Para Henrique Rosa é necessário também rever a composição da Comissão Nacional de Eleições (CNE) dado que não considera este organismo «isento».


A questão do financiamento de um novo processo eleitoral é minimizada por Henrique Rosa. «O Governo tem dinheiro para realizar um novo escrutínio. É falso que falta dinheiro para as coisas importantes» e acrescenta «o Executivo paga aos membros do Governo subsídios chorudos de cerca de dois milhões de euros por ano, além disso existe um fundo chamado FUNPI donde o governo, por imperativo nacional, poderia ir buscar, por avanço, um fundo para resolver a situação.»

Os actos de violência que podem ocorrer durante o impasse político na Guiné-Bissau para Henrique Rosa não serão devidos à crise política, mas sim devido ao mau estar que existe hoje no país devido à presença das tropas angolanas, que se tornaram no principal factor de instabilidade no país.

Angola sossobra em Bissau

Bissau, 09 abr (Lusa) - O Presidente angolano decidiu pôr fim à missão
militar que tinha na Guiné-Bissau, a Missang, disseram hoje as Forças Armadas (FA) guineenses, negando ter qualquer responsabilidade nessa decisão.

No dia em que chega a Bissau o ministro das Relações Exteriores de Angola,
Georges Chicoti, o porta-voz das FA da Guiné-Bissau, o tenente-coronel Dabana
na Walna, deu uma conferência de imprensa para esclarecer a posição dos
militares sobre a polémica que tem envolvido a Missang.

Na semana passada, no dia 03, o ministro da Defesa de Angola, Cândido
Pereira Van-Dúnem, fez uma visita a Bissau para entregar ao Presidente interino,
Raimundo Pereira, uma mensagem de José Eduardo dos Santos, cujo teor não
foi divulgado, mas que se prendia com a Missang.

Hoje, Dabana na Walna explicou aos jornalistas que na reunião realizada
no dia 03 "o ministro da Defesa deu a conhecer aos presentes a decisão do
Presidente angolano de pôr fim à Missang", acrescentando que o Governo de
Bissau, no dia seguinte, tentou imputar às Forças Armadas a responsabilidade
pelo fim da Missang.

"Não é postura normal um militar dar conferências de imprensa em democracia,
devia confiar ao Governo a tarefa da defesa do prestígio das FA e do decoro
dos militares, mas estamos perante uma situação em que é o próprio Governo,
que devia ser o chapéu político dos militares, publicamente a imputar responsabilidades
às FA pelo fim da Missang em Bissau", começou por dizer o responsável.

O chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA), António
Indjai, "nunca exigiu o fim da Missang", garantiu Dabana na Walna.

Na verdade, disse o também chefe do gabinete do general Indjai, o CEMGFA
tomou uma posição sobre a Missang no dia 20 de março, no mesmo dia em que
recebeu em audiência o embaixador de Angola em Bissau, general Feliciano
dos Santos, que lhe foi perguntar "se estava a forjar um golpe de Estado",
visto ter informações de Angola nesse sentido.

Nesse mesmo dia, contou o porta-voz, o CEMGA pediu uma reunião de urgência
com o Presidente da República e com o Governo, a quem deu a conhecer o teor
da conversa e "todos ficaram chocados".

António Indjai teria então pedido ao Presidente para que diligenciasse
junto do Governo de Angola para que a Missang entregasse os meios bélicos
que dispõe em Bissau ou então que os devolvesse a Angola.

É que, continuou Dabana na Walna, desde 2011 que a Missang "se tem vindo
a reforçar com armamento". "Perguntámos o porquê e a resposta foi que esse
material era para as FA", disse, acrescentando que contudo tal armamento
nunca foi entregue aos militares guineenses e que depois de várias respostas
a Missang disse que tal competiria ao Governo angolano decidir.

Depois do levantamento militar de 26 de dezembro passado de novo a Missang
reforçou-se com materiais bélicos e quando da rotação dos militares chegaram
"tropas especiais com coletes à prova de bala", disse o porta-voz, que acrescentou:
"mas a gota de água foi a visita do embaixador ao CEMGFA".

Dabana Na Walna garantiu que os acordos que criaram a missão de cooperação
técnico-militar angolana não preveem que Angola tenha material bélico em
Bissau e que aquilo que o CEMGFA exigiu foi que esse material ou fosse entregue
às FA ou então que fosse devolvido.

Segundo o responsável, se o Governo quer uma missão militar armada angolana
pode negociar com o seu homólogo de Luanda, mas o atual acordo não prevê
o envio de armas.

O porta-voz, que frisou que foi o governo angolano que decidiu acabar
com a Missang, disse também que parece haver da parte do Governo guineense
"uma tendência" para "arrastar as FA para a questão eleitoral".

A Guiné-Bissau teve eleições presidenciais dia 18 de março mas cinco
candidatos não reconhecem os resultados e o segundo mais votado, Kumba Ialá, recusa-se a participar na segunda volta, a 22 de abril.

domingo, 8 de abril de 2012

O longo calvário de Hugo Chávez

Venezuelan President Hugo Chavez has returned to Cuba for a third round of radiotherapy to treat a recurrence of his cancer.

President Chavez announced his departure from Caracas in a Twitter message sent from the airport.

"Heading for Havana with faith in Resurrected Christ. We'll keep living and keep winning!"

President Chavez had surgery in February to remove a second tumour from his pelvic area.

The President told Venezuelans he was returning to Cuba for more treatment after an emotional plea for his life at an Easter mass.

Tearful plea

Speaking through tears in his hometown of Barinas, he asked Jesus to give him more time because he had "things left to do".

"Give me your crown, Christ, give it to me, I will bleed, give me your cross, a hundred crosses, but give me life, because I still have things left to do for the (Venezuelan) people and for the homeland," he said during Thursday night's mass.

He later said it had been "a spontaneous, sentimental thing" brought about by the presence of his family next to him at the mass.

"My mum gave me her hand with such tenderness, and Dad gave me his... and because of this, tears rolled down my face", he said.

Um acordo em Bamaco

Après une nuit d'euphorie, dans la foulée de la signature de l' Accord cadre de Bamako, qui précise le retour à l'ordre constitutionnel, et l'abandon du pouvoir par la junte du Comité national pour le redressement de la démocratie et la restauration de l'état (CNRDRE), une série de questions se posent pour la suite. Les hommes du capitaine Sanogo vont rendre le pouvoir aux civils, mais quand et comment ?

Pour commencer, il faut quelqu'un à la tête de l'état pour gérer cette période intermédiaire, en l'occurrence, le président de l'Assemblée nationale, Dioncounda Traoré, arrivé du Burkina Faso dans l'après-midi de samedi. Pour qu'il devienne président dans le cadre d'une vacance du pouvoir, il faut qu'ATT commence par démissionner.

Il faut aussi trouver l'actuel premier ministre, Cissé Mariam Kaidama Sidibé. Elle est supposée être aux arrêts à Kati, mais ne se trouvait pas dans le groupe des prisonniers politiques de la junte qui ont pu rencontrer les délégations présentes pour les négociations ces jours derniers. Or, il revient au premier ministre de saisir la cour constitutionnelle, en même temps que le président de l'Assemblée nationale, pour que la vacance du pouvoir soit constatée et permettre à ce dernier d'être désigné à la tête de l'état. Pourvu qu'on trouve rapidement Cissé Mariam Kaidama Sidibé !
Le Monde