sexta-feira, 24 de março de 2017

Bafatá: Alcatrão e electricidade

Bissau, 24 Mar 2017 (ANG) -  O governo vai dentro de pouco tempo alcatroar e colocar postos de iluminação pública na cidade de Bafatá, anunciou quinta-feira o primeiro-ministro, Umaro Sissoco Embalo.

O chefe do executivo, que falava à população da segunda cidade do país, no âmbito da segunda fase da Presidência Aberta que levou o Presidente da República, acompanhado de alguns membros do governo e corpo diplomático, a Bafatá para auscultar os problemas da populacao local, frisou que o projecto será executado "hoje e não amanhã.

Para o primeiro-ministro, o desenvolvimento das regiões constitui uma das principais prioridades da equipa que dirige, tanto assim que anunciou para o próximo dia 26, a cerimónia do lançamento da pedra para o alcatroamento da estrada que liga a cidade de Buba, na região de Quinara, a Catio, em Tombali.

Considerou a implementação deste projecto como "um acto inédito" e só possível "devido a visão e empenho do Presidente JOMAV", pois o mesmo vinha sendo adiado pelos sucessivos governos desde a independência a esta data.

"Ordenei ao ministro das obras públicas para proceder a execução desta obra, sob pena de ser detido pelo seu colega do Interior", explicou o Primeiro-ministro em tom de brincadeira, acrescentando que "quando o guineense quer, pode fazer de facto".

Por outro lado, Sissoco Embalo realçou os esforços do seu governo na colecta e "bom encaminhamento" das receitas públicas, o que permitiu com que os salários sejam agora pagos a 20 de cada mês e não no dia "25" como o agora Presidente da República mas na altura Ministro das Finanças costumava fazer.

Num outro teor, anunciou a criação de uma universidade na cidade de Bafatá, tendo advertido ao ministro da Educação, Sandji Faty a diligenciar-se neste sentido.

Na área de saúde, disse ter instruído ao Ministro da Saúde para, no quadro da cooperação com a República Socialista de Cuba no sentido de conseguir pelo menos 500 médicos para "acabar com mortes de mulheres no parto na cidade de Bafatá".

Outrossim, referiu ter ja ordenado ao Ministro do Ordenamento do Território, Sola Nquilin para proceder a nomeação dos próximos governadores das regiões baseando nas competências de cada um e não "olhando a cor política ou distinção de raça ou credo político ou religiosa".

ANG/JAM


terça-feira, 21 de março de 2017

Por uma naturalização mais fácil

Contradições da História. Se há 46 anos um natural de África, a residir em Portugal, dissesse que não era português, mas antes guineense, angolano ou moçambicano, poderia ter sérios problemas. Mas agora é completamente diferente: um africano que aqui se tenha instalado há 15 ou há 20 anos necessita de muito trabalho até conseguir ser naturalizado. Pedem-lhe documentos e mais documentos, certidões do país de origem, certificados de registo criminal, de lá e de cá. Fazem-no ir uma série de vezes ao SEF ou às Lojas do Cidadão, demonstrar que tem as contas em dia com a segurança social, etc. etc. Perdem-se vários dias de trabalho, com risco de se ser despedido, gasta-se muito dinheiro e fica-se largos meses à espera, até se conseguir um cartão de cidadão ou um passaporte da República Portuguesa.
As autoridades deveriam providenciar no sentido de ser muito mais fácil aos cidadãos dos PALOP há largos anos a viver em Portugal conseguir, se assim o desejassem, a nacionalidade portuguesa.

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Os caminhos da História

Quando é que a História verdadeiramente começou? Quando é que homens verdadeiramente inteligentes começaram a agrupar-se, às centenas e aos milhares, para construir vilas, cidades? Não foi assim há tanto tempo, se pensarmos que o homo sapiens sapiens é uma realidade relativamente recente, no evoluir do planeta Terra. As civilizações da Mesopotâmia, do Egipto e do Vale do Indo são tidas como algumas das primeiras que existiram nesta pequena cabeça de alfinete que é o globo terrestre, partícula minúscula do sistema solar, já de si um bairro pouco central da Via Láctea. E por aí fora, tudo, tudo muito relativo. Desde que o homem nasceu na África e a dada altura começou a avançar para a Ásia e o resto do mundo, apenas se passaram como que apenas alguns minutos, se tivermos em conta há quanto tempo é que existe o Universo, o Cosmos. Há 1,9 milhões de anos surgiu um amontoado de pedras, como que um muro, no desfiladeiro de Olduvai, na Tanzânia, mas só depois disso é que outras construções primitivas iriam aparecendo progressivamente nas terras que são hoje o Zimbabwe, o Quénia, a Etiópia e os países do Médio Oriente. A nossa família, a do referido homo sapiens sapiens, levou 20.000 anos a espalhar-se por todo o planeta, indo até ao Extremo Oriente, passando o Estreito de Bering e começando a descer pelas Américas. Há uns 12.000 anos eram feitas construções na Europa Central e no Sul da Rússia, mas ainda não se podia dizer que existissem civilizações, pelo menos neste nosso planeta. Talvez noutros, coisa que ainda está por esclarecer. De tudo o que nós hoje em dia sabemos, e o saber é uma coisa que vai ser actualizada de década para década, um dos primeiros centros urbanos de que há memória, e que persiste até agora, é Jericó, na Palestina, a oito quilómetros do Mar Morto e a 27 de Jerusalém. Tanto quanto se sabe, os nossos irmãos palestinianos poderão orgulhar-se de que há 11.000 anos já existiriam em Jericó umas 2.000 a 3.000 pessoas, que construíram grandes depósitos de água e se dedicaram à irrigação, tirando proveito de um bom clima. Depois disso, fizeram-se edifícios de tijolo em Çatal Hüyük, na Turquia, e só mais tarde é que surgiram cidades na Mesopotâmia (actual Iraque), no Egipto e nas terras que hoje conhecemos por Índia e Paquistão. Ou seja, como tudo é muito relativo ao longo dos tempos, territórios que hoje em dia se poderão dizer na primeira linha do desenvolvimento não eram quase nada há 4.200 ou 4.300 anos. Caso das Américas, da China ou do Japão, bem como de uma grande parte da Europa. Portanto, se o panorama é este, quem é que nos garante que países hoje em dia muito pouco desenvolvidos não venham eventualmente a ser potências daqui a alguns séculos? Tudo é possível. Há que acreditar! (escrito para a revista Prestígio, de Maputo)

terça-feira, 19 de abril de 2016

Memórias de Luiz Pavão

Exmos. Srs. Durante mais de 20 anos não olhei para o conteúdo das minhas declarações constantes na OD659/85 pois sempre me disseram que era um caso perdido,(e como então ainda tinha forças para andar para a frente, e sempre defendi a iniciativa privada, fui-me aguentando com pequenas intervenções nesta ou naquela telenovela, nesta ou naquela série… )das quais mantenho cópia. Encontrando-me por vicissitudes diversas, as quais , mantenho ,se relacionam com esta OD659/85, a viver num quarto alugado e pago pela Santa Casa, em casa do Sr. Dr. António José Levy de Oliveira David, tal como me tem várias vezes repetido disse tal como sua tia Aida Levy Dias Costa l, como consta no conteúdo completo da referida OD659/85 ,dissera a minha tia Isaura Julieta, perante o cadáver de sua irmã Maria Luísa, na Basílica da Estrela, ter esta “os DIAS CONTADOS” (sic).. Pouco tempo passado de aqui ter entrado a 1 de Setembro de 2009, em conversa, ainda amena, com o dr António David, ventilei a hipótese , visto estar este em permanente contacto com meu primo João Pereira da Rosa, de haver uma trégua, e que me fosse, por meios diplomaticamente pacíficos, devolvida, ao menos, parte daquilo a que tenho direito,ao que me foi, imediatamente, por este respondido: “quanto a isso podes tirar o cavalinho da chuva” (sic). Mais estranho ainda foi, tendo meu pai falacido em Maio de 2009,anterior, portanto, à minha entrada nesta casa, ter-me sido sempre dito que este se encontrava vivo e bem, mesmo em telefonema que já desta casa fiz a meu primo Henrique Jorge Segurado Pavão, que sempre manteve estreita ligação com meu pai. A referência a António José Levy de Oliveira David não aparece aqui, pois que, afilhado de meu defunto primo Guilherme Pavão Pereira da Rosa ,que pela morte de sua mãe ficou como Cabeça de Casal da Família Pavão e dos seus bens, tendo imediatamente substabelecido todos os poderes em seu filho João Pedro Bordallo Pinheiro Pereira da Rosa que há muito nutre profundo ódio por mim, que por sua vez os substabeleceu ao Sr. Cansado,por “coincidência” procurador do meu então senhorio, na Ordem de Despejo que me foi movida pela TRAVESSA MIGUEL LUPI,1 r/c 1200 Lisboa, (também citados, por mim, na referida OD659/85,quanto às condições da continuidade de então sobrevivência de minha tia-avó Isaura Julieta Figueiredo Pavão de quem sou herdeiro universal, por causa da minha presença , então, na Travessa Miguel Lupi ,nº 1 r/c) e cujas famílias mantinham estreitos laços de amizade, e que em tempos me havia dito que”quando a Geja (minha tia-avó primogénita Angélica Ema Figueiredo Pavão Pereira da Rosa ) morresse eu não teria que me preocupar com a minha sobrevivência”,tudo, depois da morte desta, mudou e foi desmentido. Nunca pensei vir parar à boca do lobo, até que por as longas conversas telefónicas que quase quotidianamente mantinha com o dono desta casa, ainda desde o tempo em que eu habitava a Almeida Brandão, nada me fez suspeitar, do desenvolvimento dos acontecimentos, posteriores à minha entrada na D. Carlos I. Mesmo nunca me foi dada chave do quarto que habito, tendo-me sido mesmo proibido, à partida, entre outras coisas fechar o meu quarto, estando ou não em casa, situação que entretanto mudou, depois da 1º intervenção da PSP,a meu pedido , mas como houvera tempo (MESES) para entrarem e saírem aquando das minhas ausências, foi feita, estou certo, cópia da chave do cadeado que utilizava para fechar com correntes, nas maçanetas, do quarto, assim como a chave da gaveta da minha secretária onde tenho o computador, apareceu partida, tendo a situação sido solucionada pela ajuda de funcionários da CLIX aquando da instalação dos mesmos serviços, nesta casa a 7 de Novembro de 2009, que conseguiram tirar a parte partida da chave do canhão.. O cadeado foi mudado da porta do quarto foi mudada também a conselho da PSP, o que piorou a forma como aqui sou tratado, e já foi tentado várias vezes arrombarem-me a porta. O ponto a que chegou o “Terrorismo Doméstico” ou como se chama em Portugal “Violência Doméstica”,(embora exista entre os dois conceitos uma tremenda diferença), nesta casa, parece mais um filme de terror cientifico do que a realidade, não podendo ,por exemplo, nem lavar os meus talheres, juntamente com a loiça da casa,,na minha máquina de lavar louça ,pois que a minha louça foi toda partida pela Sra. d. Maria João do Vale Pinto Coelho, putativa companheira do dono da casa, que entretanto, por falta de pagamento da renda deste apartamento se encontra em contencioso com a Companhia de Seguros Fidelidade, proprietária deste prédio.. É a supracitada Sra .pertencente a uma família com a qual mantenho graves discordâncias ideológicas, políticas e éticas; nomeadamente com o Sr. José de Almeida e Vasconcellos Pinto Coelho, presidente do P.N.R…….. Na MINHA máquina de lavar loiça como me foi afirmado pelo Sr. Dr. António José Levy de Oliveira David ,nada poderia pôr meu e que teria de lavar, se quisesse à mão, os talheres( faca, garfo e colher,o que mesmo isso me custa,pois,não podendo utilizar água quente as minhas mãos no Inverno têm tendência a ficar gélidas e cadavéricas, como resultado da NEUROPATIA PERIFÉRICA DE QUE PADEÇO e que é do pleno conhecimento do dono da casa desde a nossa infância), pois de pratos já não disponho nada,desde a 2ª comparência,a meu pedido da PSP ,que quando abandonou esta casa a dita Fraulein me partiu todos os pratos,estando proíbido,eu só,porque os outros hóspedes deles se usam de utilizar loiça da casa;enquanto a máquina era utilizada todos os dias. Só passados alguns meses é que deixaram de usar a máquina, julgo, pois hoje em dia quase não entro na cozinha, nem para usar o micro-ondas, tendo-me “limitado “ a comer as refeições que a paróquia me proporciona, frias, no quarto, até o café solúvel não posso aquecer. Encontrando-me por vicissitudes diversas, as quais , mantenho ,se relacionam com esta OD659/85, a viver num quarto alugado e pago pela Santa Casa, em casa do Sr. Dr. António José Levy de Oliveira David, tal como me tem várias vezes repetido disse tal como sua defunta tia Aida Levy Dias Costa , como consta no conteúdo completo da referida OD ,dissera a minha tia Isaura Julieta, perante o cadáver de sua irmã Maria Luísa, na Basílica da Estrela, ter “os DIAS CONTADOS” (sic).Pois que desde que entrei nesta casa me tem sido feita guerra declarada, e várias vezes também me foi já dito ,ter os “dias Contados”, faltando-me bens que se encontravam numa dependência, à qual ,todos os que aqui vivem, têm acesso, pelos vistos,agora menos eu, porque tendo em tempos pedido a amigos para me colocarem os caixotes e objectos de forma a eu poder ter acesso a eles logo apareceram mudados, e não por mim,mas sob o comando da “Fraulein” Maria João do Vale Pinto Coelho, e como me custa executar esforços físicos, mais uma vez afirmo ter perdido o controlo do que se encontra ainda de meu nessa divisão. Sendo as coisas minha pertença (tenho facturas,em meu nome que o provam)se coloco algo num sítio, quanto a mim nesse sítio deve permanecer ,ou, sendo mudado, ter-me-ia que ser dado conhecimento. Mesmo as ameaças e os insultos de “paneleiro” são constantes. A situação piorou com a entrada de um 4º hóspede (julgo que a Lei só autoriza 2) que ao entrar disse ser funcionário da RTP, (e que tendo-me eu informado, junto das mais altas instâncias da RTP, lá, não consta, de nome Rui Veiga, com passado obscuro em Paris, e que” conjuntamente” com a supracitada Fraulein controlam completamente esta casa. Repito:neste momento não faço ideia do que de meu ainda se encontra nesta casa,a não ser o que está no meu quarto,que contra vontade dos ditos se encontra sempre fechado a corrente e cadeado e onde tenho documentos, provas, indícios, importantíssimas de tudo o que afirmo; tendo o dito sr. Rui Veiga já me “deitado” as mãos ao pescoço e ameaçado com ferros, tendo na altura acalmado (embora a semana passada me tenha ameaçado de morte) pela pronta intervenção de elementos da esquadra 30 da PSP, que o identificaram quase desde que aqui entrou: até a fruta que a paróquia me deixa num saco ,na escada, me costuma roubar, como o tem feito também aqui em baixo na Macdonalds, como já me foi dito ,a nível de jornais que se encontram à disposição dos clientes para consulta, “in loco”!.... ! Coisas que desapareceram durante meses, que em vão procurei e de repente apareciam assim como um estalar de dedos em sítios diferentes onde os tinha deixado ,meses depois. Penso que também seja esta uma técnica de tentarem confundir-me… Mas confundir-me é muito difícil e pode trazer gravíssimas consequências. Isto parece de facto uma coisa de doidos,expressão que, presumo,abunde na OD659/85! Estou , por exemplo proíbido de entrar na sala comum , onde se encontra,entre outras coisas, um plasma meu (tenho factura) que me custou 3990€, e que estou,claro PROÍBIDO DE VER………….tudo por ordem da dita fraulein Pinto Coelho, nazi confessa, homofóbica e fundamentalista religiosa. Utilizo o termo de TERRORISMO DOMÉSTICO pois sei que, por exemplo, na Alemanha esta figura Jurídica é aplicável, ignorando completamente se em Portugal o é ou não. Como por exemplo tinha vários elementos, da família Pinto Coelho, à porta do meu quarto a ameaçar-me tendo um deles dito ser agente da PSP, a obrigar-me a abrir a porta. Tal não fiz tendo imediatamente contactado a 30ª esquadra, e só na presença da VERDADEIRA PSP é que abri a porta. Ora esse senhor, sobrinho da fraulein, filho de um irmão que o dono da casa já se me tinha queixado estar a dever-lhe 5 mil euros, enquanto a PSP não chegou disse que sabia quem eu era, que tinha sido eu que tinha morto o “Coyote” e que iria dizer ao pessoal da picheleira onde eu morava para me vir fazer a “folha”,estranhei tais palavras da boca de a”agente da autoridade”,mas ao chegar a PSP identificou-se e o agente que ficou comigo disse-me que afinal pertencia À GNR ,ora como os crachats da GNR se vendem por todo o lado suspeito da veracidade dos factos tanto que a PSP me disse, posteriormente que se tornasse a ver tal individuo, imediatamente a chamasse. Passados uns dias tentaram desferir-me uns golpes no pescoço, que segundo o que sei eram golpes mesmo para matar, no Largo Vitorino Damásio. No dia em que aqui entrei, a 1 de Setembro de 2009 , a supracitada senhora ofereceu sem minha autorização, uma televisor MEU a um funcionário da Transportadora (engoli o sapo temendo divergências maiores, pois conheço infelizmente bem demais e profundamente os meios e a falta de escrúpulos utilizada por este tipo de seguidores de certos pensamentos…)Mesmo quando utilizo a MINHA máquina de lavar roupa, sempre desapareciam todas as molas ,que antes de pôr a roupa a lavar se encontravam sempre na cozinha .Como um scanner que se encontrava na dita divisão desapareceu assim como toda a Bijouterie de minha Bisavó Adelaide e de minha mãe, incluindo relógios de marca e alguns também com pedras preciosas dos quais tenho fotos e também uns anéis com umas pedritas, pequenas, mas preciosas. Assim como caixotes que não tencionava abrir nesta casa e apareceram abertos,tendo eu perdido,por falta de forças o controle das minhas coisas que se encontram ( ?)nessa divisão . Devo também especificar que desde 1 de Setembro de 2009 estou proibido de engomar roupa, sem dúvida, para ajudar a manchar a minha Imagem Publica! Encontrando-me em estado semi terminal, seguido na Consulta da Dor do Hospital dos Capuchos e estando a tomar morfina há mais de 2 anos, pelas dores, que a doença congénita do Sistema Nervoso Central, que me faz, dores horrorosas em todo o corpo, devida a séculos de consanguinidade que por fatalidades de ADN me atingiram. Mas tenho, pelo menos a consciência tranquila pois sempre tentei cumprir, leal, digna (ainda que por formas às vezes bem espinhosas) e competentemente a minha Profissão e o meu Dever. Refiro ainda que a maior parte das minhas declarações se encontra largamente documentada e verificável no blog que mantenho em http://luiziipavao.blogspot.com Rogo ser-me deferido o ser ouvido sobre os sórdidos detalhes de todo este Maquiavélico - Kafkiano PROCESSO em nome dos Direitos Humanos Universais. Pede deferimento, Pelo Bem Global, Lisboa, 13 de Setembro de 2011

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Edgard Mitchell e o Universo

O astronauta e os extraterrestres -------------------------------------------------------------------------------- Neste último mês de Fevereiro, aos 85 anos, morreu nos Estados Unidos o astronauta Edgard Mitchell, que fez parte da missão Apollo 14, em 1971, e que foi um dos 12 únicos homens que até hoje estiveram na Lua. Mitchell, o sexto homem a caminhar no solo lunar, ficou particularmente conhecido por ter dito que extraterrestres pacíficos tentaram salvar os EUA de uma guerra nuclear. A existência de extraterrestres é uma coisa que ainda não está oficialmente comprovada, apesar de ao longo de vinte séculos já se terem visto objectos voadores que nunca foram devidamente identificados. Agora, que se descobriu o planeta Kepler 452b, onde é possível que haja vida, que se admitiu a existência de água em Marte e que se procura também água e vida em Europa, satélite de Júpiter, é muito mais natural que se admita, finalmente, que há mais gente no Cosmos, para além das pessoas que vivem na Terra. Depois da II Guerra Mundial, os norte-americanos estavam a proceder a testes na zona de White Sands, apoiados por uma base aérea que existia em Roswell, do outro lado da montanha; e alguns extraterrestres teriam procurado verificar o que é que se estava a passar. Caiu então em Roswell uma nave extraterrestre, mas as autoridades nunca o reconheceram, tendo apresentado a desculpa de que se tratara de um balão meteorológico, com alguns bonecos lá dentro, bonecos esses que teriam sido confundidos com seres vindos de outro ponto do Universo. Segundo Edgard Mitchell, o que os extraterrestres queriam era que os EUA não fossem para mais nenhuma guerra, pois desejariam que houvesse paz na Terra, depois dos anos terríveis do Holocausto e das bombas atómicas lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki. Pessoas que trabalharam em White Sands contaram ao astronauta que, de facto, tinham notado a actividade de Objectos Voadores Não Identificados (OVNI), tal como eles têm sido assinalados desde épocas muito remotas. Edgard Mitchell acreditava que a existência dos extraterrestres tem sido mantida em segredo porque a tecnologia que eles podem oferecer à Humanidade colide com os interesses de muitos grupos existentes aqui na Terra. Os governos e as religiões não têm querido admitir que existam formas de vida inteligente noutros planetas, sejam eles no sistema solar ou fora dele, na Via Láctea ou noutras galáxias. A experiência do astronauta passou por uma revelação, ou epifania, aquilo a que os hindus chamam samadhi, os gregos metanoia e os budistas satori: ele ficou a compreender que a realidade extraterrestre é muito diferente de tudo aquilo que oficialmente tem sido aceite. No seu entender, a maior parte das religiões são meras tentativas de cosmologia, de entendimento do Cosmos. "O nosso Universo seria uma coisa insignificante se não houvesse sempre nele algo a ser investigado por todas as gerações que vão surgindo", já o dizia Séneca no século I depois de Cristo. Todos temos interesse em saber o que somos, como é que chegámos aqui, para onde vamos. E estas foram questões pelas quais muito se interessou o astronauta agora falecido. Nós nem sequer sabemos por que é que os EUA interromperam, por tantas décadas, as viagens que estavam a efectuar à Lua. O que é que eles na verdade lá viram e não chegaram a contar? "A Natureza não revela os seus mistérios de uma só vez", escreveu-o Séneca no livro "Questões Naturais". E a NASA (agência espacial norte-americana) também leva muitos anos a revelar o que é que na verdade sabe, sobre a Lua, sobre Marte, sobre o resto do sistema solar e sobre os extraterrestres.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

João Bernardo Vieira II

João Bernardo Vieira II, born in Bissau in August 17, 1977, is the Secretary of State for Transport and Communications of Guinea-Bissau and the spokesperson of the biggest party in Guinea-Bissau. João Bernardo Vieira was named after his uncle João Bernardo Vieira who served as President of Guinea-Bissau from 1980 -1998 and later 2005-2009. Vieira has a law degree from Universidade Lusídas Lisboa, Portugal and holds a Master's degree in Sustainable International Development from Brandeis University, where he served as President of the Graduate Students Association. He was awarded a certificate of Emerging Leaders Program in Executive Education from Harvard Kennedy School of Government and an Archbishop Desmond Tutu Leadership Fellowship in South Africa. In 2004, Vieira began his career in public service in Guinea-Bissau by serving as the Head of Multilateral Agreements in the Ministry of Trade. In this capacity he represented Guinea-Bissau in the Multilateral Trade Negotiations of the World Trade Organization. He took courses in Geneva offered to students from Least Developed Countries. In 2011 after a national contest, he was selected out of a pool of 50 Bissau-Guineeans to serve as a member of the board of National Regulatory Authority, an organization responsible to regulate the telecom and the internet sector where he served for 3 years. Secretary of State for Transport and Communications In May 2014 he contributed to party's landslide victory. In July he was sworn in as Secretary of State for Transport and Communications, the youngest member (Kodé) of the government.

sábado, 12 de dezembro de 2015

Samakuva reeleito presidente da UNITA

Entre 3 e 5 de Dezembro, decorreu nos arredores de Luanda o XII Congresso da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA). Com 82,8% dos votos, Isaías Samakuva foi reeleito presidente do ‘Galo Negro’ pela quarta vez. Escolhido pelos delegados pela primeira vez em 2003, Samakuva lidera a UNITA ininterruptamente há 12 anos e prepara-se agora para se candidatar, uma vez mais, à presidência de Angola nas eleições gerais previstas para Agosto de 2017. Dito por outras palavras, desde a morte de Jonas Savimbi, em Fevereiro de 2002, que em tempos de paz a UNITA só conheceu um líder.1 Correndo o risco de comparar o que não é comparável, importa assinalar que a resiliência política de Samakuva na liderança da UNITA é relativamente semelhante à de José Eduardo dos Santos à frente do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA). Mas se a longevidade de José Eduardo dos Santos é relativamente fácil de compreender, o mesmo não se pode dizer da resiliência de Samakuva. No essencial, mas não em exclusivo, a 1 Samakuva enfrentou sempre candidaturas alternativas. Em 2003 derrotou Lukamba Gato e Dinho Chingunji; em 2007 venceu Abel Chivukuvuku; em 2011 derrotou José Pedro Kachiungo. Desta vez enfrentou Lukamba Gato, uma vez mais, e Abílio Kamalata Numa. A longevidade de José Eduardo dos Santos assenta na distribuição eficaz das benesses decorrentes do exercício do poder político. De certo modo, o MPLA é o Estado e o Estado é o MPLA, sendo que José Eduardo dos Santos é quem tutela de forma exímia todo o processo. Sem benesses para distribuir, a sobrevivência política de Samakuva na liderança da UNITA é mais difícil de explicar, mesmo tendo em conta que os últimos 12 anos não foram isentos de sobressaltos. Em Março de 2012, por exemplo, em ruptura com Samakuva, destacados dirigentes da UNITA, entre eles Abel Chivukuvuku, abandonaram o partido e fundaram uma nova força política, a Convergência Ampla de Salvação de Angola – Coligação Eleitoral (CASA-CE). Esta importante cisão terá sido o mais duro golpe político que a UNITA enfrentou nos tempos mais recentes. Porém, com maior ou menor dificuldade, é um facto que Samakuva sobreviveu às hecatombes nas eleições legislativas de Setembro de 2008 e, mais recentemente, nas eleições gerais de Agosto de 2012. Em parte, por paradoxal que possa parecer, a explicação para as suas sete vidas políticas poderá estar na irrelevância da própria UNITA. Sem que seja previsível a ascensão da UNITA ao poder, o partido do ‘Galo Negro’ vive fechado sobre si próprio, sem grande capacidade de atracção de jovens quadros, e disso tira proveito Samakuva que, ao lon- 11 DE DEZEMBRO DE 2015 40 A reeleição de Samakuva: uma boa notícia IPRIS Comentário para José Eduardo dos Santos | 2 go dos anos, teceu uma elaborada teia de cumplicidades e de lealdades. De certo modo, a UNITA é um partido de nicho e de nicho continuará a ser no curto e médio prazo. Independentemente dos motivos que estão por detrás da sobrevivência política de Samakuva, a sua reeleição inequívoca não é uma boa notícia para a UNITA e para Angola. Mesmo tendo em conta que Samakuva contestou a forma como decorreram as eleições de 2012, não há nenhuma razão para acreditar que em 2017 a UNITA terá um desempenho político substancialmente muito diferente daquele que teve em 2008 e 2012. Incapaz de se renovar ao mais alto nível, a UNITA continuará a ser incapaz de agregar à sua volta os descontentes com a eterna presença do MPLA na liderança de Angola. Nessa medida, os fenómenos de contestação política contra José Eduardo dos Santos tenderão a manter uma natureza inorgânica, como é o caso do activista Luaty Beirão. Nesta altura, não é ainda claro se José Eduardo dos Santos pretende candidatar-se a um novo mandato presidencial. Em todo o caso, no limite a sua intenção ficará obrigatoriamente clarificada no VII Congresso do MPLA que se realizará em Agosto de 2016. Ironicamente, pode dizer-se que em sentido figurado a continuidade de Samakuva — e o que ela representa em termos de ausência de alternativas e de renovação da UNITA — é em parte um precioso seguro de vida para José Eduardo dos Santos. Ainda que Angola viva actualmente um ciclo económico adverso e muito difícil, com todas as implicações políticas e sociais que daí decorrem, a eventual reedição em 2017 do confronto eleitoral de 2012 — entre José Eduardo dos Santos, Isaías Samakuva e Abel Chivukuvuku — não terá, em circunstâncias normais, grande história para contar. Naturalmente, a perpetuação do MPLA no poder constitui um problema, mas no actual contexto político a UNITA e a CASA-CE não se afiguram como parte integrante de qualquer solução alternativa. | Paulo Gorjão IPRIS

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Isabel-Victoria da Motta

No seu vigésimo quarto livro, “Um copo cheio de vinho novo”, a escritora portuguesa Isabel-Victoria da Motta dedica-se à criação literária sobre a história verídica de uma mulher, Lydia, hoje “já de certa idade”. O que Isabel-Victoria realmente pretende abordar neste romance é o acordar espiritual de Lydia, que há tempos conheceu por acaso, em Montmartre, onde tem um estúdio. Vivendo actualmente entre Lisboa e Paris, a autora dos poemas de “Tantin, a raiva da tarântula” e dos contos “Bateu Asa, Voltou” já está nesta altura a preparar um novo romance, que se deverá chamar “A Certeza das Coisas”. Assim prossegue a carreira de quem diz escrever livros “para quem gosta de literatura”; e de vender muito, “sem precisar de escândalos ou cunhas”. A obra actualmente à venda, e que abre com um citação do Salmo 45, tem design gráfico, correcção e revisão de texto de Paulo Correia Nunes, capa de Telmo Bento e pesquisa histórica de Kenneth Saint-Jacques. Foi impressa na Gráfica Almondina, de Torres Novas e preenche 276 páginas. Poderá servir como introdução ao universo literário de uma mulher que em tempos, quando trabalhava no Teatro, no Cinema e na Televisão, com o nome de Isabel Mota, chegou a ser considerada por alguns “excêntrica e doida”. Hoje em dia, Isabel-Victoria é uma mulher que veste muito bem e que assina livros no Chiado, à porta da Bertrand, enquanto o Natal não chega. Depois, quando vier a Primavera, é muito provável que bata asas e vá uma vez mais até Paris, onde em 1989 se instalou.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Ceuta, por Xavier de Figueiredo

O livro "Ceuta primeira conquista de Portugal além-mar" é uma reconstituição histórica de um feito ou acontecimento que afirmou Portugal como nação que não se restringia ao espaço do Minho ao Algarve e lhe abriu as portas de um extenso império, que ia do Norte de África ao Extremo Oriente. Nesta obra, com um prefácio do almirante Vieira Matias, o jornalista Xavier de Figueiredo, colaborador da Prestígio, conta o início da expansão de Portugal na África, na Ásia e nas Américas, antes de se terem povoado a Madeira, os Açores e as ilhas de Cabo Verde. Aconteceu isso no reinado de D. João I, casado com a inglesa D. Filipa de Lencastre e pai de infantes tais como D. Duarte, D. Pedro, D. Henrique e D. Fernando. A casa real portuguesa era profundamente cristã e entendia ser seu dever levar ao continente africano a fé que professava, de modo a tentar conseguir um retrocesso dos muçulmanos, que na altura em que Portugal se formou ainda dominavam uma grande parte da Península Ibérica. Nesta edição da Monitorius, com ilustrações do contra-almirante João Braz de Oliveira, fala-se da nobreza e do brilho da cidade que os portugueses encontraram no litoral de Marrocos; e que ainda hoje se encontra adstrita a uma administração europeia, mais precisamente à espanhola. É, pois, um livro de grande importância, este em que se descreve a forma como frotas reunidas no Porto e em Lisboa passaram por Lagos, no Algarve, e tomaram finalmente Ceuta, onde causaram uma grande mortandade. O próprio rei D. João I e os seus filhos participaram na aventura, ao contrário do que acontece hoje em dia, quando ninguém vê um Presidente dos Estados Unidos ou da Rússia seguir à frente das tropas que são enviadas para os mais diversos territórios. São mais de 170 as páginas em que Xavier de Figueiredo, natural da província do Huambo, em Angola, nos fala de Ceuta, de Tânger e de Alcácer Quibir, três nomes muito associados a tudo o que se fez, durante mais de século e meio, para que Portugal procurasse controlar o Noroeste da África, desde o Estreito de Gibraltar até às alturas da Mauritânia. Ceuta viria a ser perdida por Portugal no século XVII, mas ficou como a memória de um povo que ousou ir mais além, não se contentando com as praias do Algarve, por mais belas que elas fossem. Ousou até poder, até à segunda metade do século XX, quando começaram a soprar impetuosamente os Ventos da Mudança e foi imprescindível descolonizar. É assim a História. Impérios que nascem, que se arrastam no tempo e depois morrem, para dar origem a outras realidades.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

O julgamento de Hisséne Habré

Le président du tribunal spécial africain à Dakar a annoncé jeudi la suspension du procès de l'ex-président tchadien Hissène Habré jusqu'au 9 novembre. « L’audience est suspendue jusqu’au 9 novembre. La Cour mettra à profit ce temps pour revoir » ses dossiers, a déclaré le Burkinabè Gberdao Gustave Kam, président des Chambres africaines extraordinaires (CAE), à l’issue de l’audience de jeudi 29 octobre. L’audience du 9 novembre doit démarrer avec le témoignage du président de l’Association des victimes des crimes du régime de Hissène Habré (AVCRHH), Clément Abaifouta, a indiqué Gberdao Gustave Kam. Jeudi, le tribunal a écouté le témoignage de Robert Hissein Gambier, né en 1954. Il a affirmé avoir été arrêté en décembre 1985 à N’Djamena par des agents de la Direction de la documentation et de la sécurité (DDS, police politique sous M. Habré) puis détenu jusqu’en décembre 1990. Pris pour un « mercenaire libyen » « Ce qui m’a sauvé (de la mort), je restais devant la porte (où) il y avait un trou et je respirais de l’air frais », a indiqué M. Gambier selon lequel les détenus s’entassaient dans la cellule où il était détenu. Il a dit avoir été arrêté parce que pris pour « un mercenaire libyen », ce qu’il a démenti. Accusé de « crimes de guerre, crimes contre l’humanité et tortures » durant sa présidence au Tchad (1988-1990), Hissène Habré comparaît depuis le 20 juillet devant les CAE, créées en vertu d’un accord entre le Sénégal et l’Union africaine (UA), que l’accusé récuse. Celui-ci refuse de s’exprimer et de se défendre devant cette juridiction. Les audiences avaient ensuite été suspendues dès le lendemain de l’ouverture du procès pour permettre à des avocats commis d’office pour la défense de prendre connaissance du dossier, puis elles ont repris le 7 septembre. Un verdict en février ? Le procès devait initialement prendre fin le 28 octobre, mais il ira « très probablement jusqu’en février », a affirmé jeudi à l’AFP le porte-parole du tribunal spécial, Marcel Mendy, confirmant une information annoncée à l’AFP par une source au sein de la juridiction le 20 octobre. « Nous avons encore une vingtaine de témoins à auditionner à Dakar et d’autres qui sont à N’Djamena » avant les plaidoiries, a ajouté M. Mendy. Hissène Habré encourt entre 30 ans de prison ferme et les travaux forcés à perpétuité. Une commission d’enquête tchadienne a estimé que la répression durant sa présidence a fait 40 000 morts. Jeune Afrique

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

A poesia de Tony Tcheka

Aos guineenses, na terra e na diáspora, e aos numerosos amigos da Guiné-Bissau dedicou Tony Tcheka (pseudónimo de António Soares Lopes Júnior) o seu livro "Desesperança no chão de medo e dor", em Setembro lançado na Alemanha e em Portugal e em Outubro na própria cidade de Bissau. Inspirado na palavra do escritor uruguaio Mário Benedetti, segundo a qual um homem não se deve render, nem ceder, o autor de "Noites de Insónia na Terra Adormecida" e de "Guiné Sabura que Dói", surgidos respectivamente em 1996 e em 2008, entregou-nos mais 50 poemas, em português e em crioulo, para nos falar de uma Guiné-Bissau maltratada, onde por vezes nem sequer há energia eléctrica, nem água potável, a correr das torneiras. Tony Tcheka, que já foi director do jornal "Nô Pintcha" e correspondente tanto da BBC como do jornal PÚBLICO, de Lisboa, tenta, pela poesia, libertar-se da tão grande desesperança que ameaça os naturais da Guiné-Bissau, 42 anos depois de terem proclamado unilateralmente uma independência que teima em não florir tanto quanto se desejaria. Os seus poemas são um fruto da política menos correcta que se tem feito da terra onde nasceu Amílcar Cabral e onde foram assassinadas pessoas como o Presidente Nino Vieira. Neste livro, ilustrado por Ismael H. Djata e editado pela Corubal, de Bissau, notamos bem que o medo é o "traje que veste a alma" da Guiné-Bissau, onde ainda em Agosto o Presidente José Mário Vaz decidiu afastar o primeiro-ministro Domingos Simões Pereira e promover um Governo que só se aguentou 48 horas, até finalmente ser chamado como novo primeiro-ministro o veterano Carlos Correia. "O tempo passa./amassam-nos/bloqueiam as artérias/mantendo-nos fora/do espaço dos ponteiros do tempo./e o tempo passa ./e nós a sobra do prato vazio/definhámos...". O tempo vai passando; e os guineenses, resignados, desfazem-se no tempo que passa e ficam como náufragos, na terra adiada. Urge encontrar a canoa que leve a bom porto o povo guineense. É o que parece dizer-nos Tony Tcheka, de 63 anos, que já tem sido referenciado na França, no Brasil, na Alemanha e no Reino Unido. O livro de que desta vez aqui falamos inclui textos que sobre o poeta em questão escreveram Odete Semedo, Robson Dutra Unigranrio, Maria Estela Guedes, Arlinda Mártires Nunes, Moema Parente Augel e J. Adalberto Campato._

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

O fluviário de Mora

O fluviário do Cabeção, no concelho de Mora, junto ao açude e ao parque de merendas do Gameiro, é uma das grandes maravilhas do Alentejo nestes últimos tempos. Visitei-o ontem, no primeiro dia de abertura ao público; e adorei, principalmente por se tratar de um novo equipamento no interior da terra alentejana, de que tanto desenvolvimento necessita. Que Portugal não seja só Lisboa, Porto, Algarve e a ilha da Madeira, mas sim múltiplos polos de interesse para todos os nacionais e estrangeiros – é o que é preciso. Os esturjões de olhos muito brilhantes, as piranhas, as lontras e tudo o mais que se pode encobrar no Fluviário de Mora, no sítio do Cabeção, merece bem que se percorram 170 quilómetros e se reservem três ou quatro horas do nosso tempo para o ir apreciar. Jorge Heitor 23 de Março de 2007

Bilhete a todos os que me humilharam

Sempre à minha frente encontrei homens e mulheres de outra condição. Mais altos, quiçá mais belos, mais ricos e muito mais poderosos. Eu, como todos os que se sentem por baixo, oprimidos, sempre encontrei homens e mulheres prontos para me dirigirem e para me indicarem o caminho; para me dizerem o que deveria ou não deveria fazer. Pessoas bem encaixadas na vida ou com muito mais ousadia ou descaramento, prontas para me suplantarem e oprimirem. Sempre me senti "underneath what is above", conforme um dia sonhei, creio que no ano de 1976, na cidade de Londres, um dos muitos lugares onde sofri desilusões, de vária ordem. Vi-me como um palhaço pobre, um faz-tudo; e a imagem tinha essa legenda. É a todos os que um dia me passaram a perna que hoje dedico este apontamento, na manhã de 11 de Setembro do ano 2007. Jorge Heitor

sábado, 22 de agosto de 2015

Resolução do Bureau Político do PAIGC

Nos dias 21 e 22 de Agosto, sob a presidência do Camarada Domingos Simões Pereira, Presidente do Partido, e em observância da alínea b) do Artº33 dos Estatutos, reuniu-se extraordinariamente o Bureau Político (BP) do PAIGC, com a seguinte ordem dos trabalhos: Análise e avaliação da situação política partidária à luz dos últimos acontecimentos; Diversos. A ordem dos trabalhos foi aprovada por maioria de votos dos presentes. SOBRE A ANÁLISE DA SITUAÇÃO POLITÍCA O Presidente do partido informou ao Bureau Politico que foi completamente inesperado e pelos órgãos de comunicação social que o partido tomou conhecimento de um decreto presidencial que nomeou o Senhor Baciro Djá como Primeiro Ministro da Guiné-Bissau, numa altura em que se aguardava a chegada ao país de uma importante delegação da CEDEAO, seguindo os esforços empreendidos pela mais alta esfera da comunidade internacional, nomeadamente pelo Secretário Geral das Nações Unidas e por outros Chefes de Estado. O Bureau Politico procedeu a uma analise profunda da situação politica vigente no pais, onde se destacou os apelos à coesão, unidade, espirito de reconciliação como condições indispensavéis para preservar o Partido de divisões e fracturas que têm marcado a vivência política nacional. O Bureau Politico criticou de forma veemente o caminho da inconstitucionalidade escolhido para demitir o governo constitucional do PAIGC quando existiam condições objectivas e de interesse nacional para se ultrapassarem as divergências invocadas por via do dialogo, principalmente no aspecto do relacionamento entre o Presidente da Republica e o Primeiro Ministro. O Bureau Politico considerou que o Camarada Baciro Dja ao aceitar a nomeação e investidura no cargo de Primeiro-ministro, a revelia da constituição e dos estatutos do PAIGC, violou o dever do militante plasmado na alínea o do artigo 15º dos Estatutos. O Bureau Politico considerou igualmente que essa atitude do Camarada Baciro Dja põe em causa mais uma vez os superiores interesses do partido, da sua unidade e coesão interna. Diversos No capítulo dos diversos, os membros do Bureau Politico tiveram a oportunidade de prestar alguns esclarecimentos sobre assuntos diversos. Assim, após profunda analise da situação politica vigente no pais, agravada com a recente nomeação do novo Primeiro-ministro a margem das normas constitucionais e internas do PAIGC, O Bureau Politico delibera: Condenar veementemente, a decisão do Senhor Presidente da Republica em nomear através do Decreto Presidencial 6/2015 um novo Primeiro-ministro, a revelia da Constituição da Republica e com total desrespeito pelos Estatutos do PAIGC, partido vencedor com maioria absoluta das ultimas eleições legislativas; Apelar ao restabelecimento da legalidade constitucional por via da anulação do decreto presidencial nº 6/2015 e convite ao PAIGC para, em observância dos seus Estatutos e priorizando a via negocial, encontrar uma solução que assegure a paz, a estabilidade e a unidade nacional; Exortar o Camarada III Vice-presidente a assumir a atitude militante de facilitar o processo de dialogo demitindo-se do cargo para que fora nomeado e empossado inconstitucionalmente e sem o necessário aval prévio do partido, sob pena de infracção grave, conforme plasmado no artigo 103 dos Estatutos: “São consideradas condutas de grave traição politica aos princípios do PAIGC, a violação activa ou passiva directa ou indirecta pelo militante, dos seus deveres estatutários, dispostos nas alíneas j, l, n, o, e p do artº 15 dos Estatutos”; Expressar o seu profundo lamento pelo facto de três moções de confiança ao governo do PAIGC, aprovados por unanimidade e num gesto de elevado patriotismo, pela Assembleia Nacional Popular, não terem merecido nenhuma consideração por parte de Sua Excia. o Presidente da Republica antes da decisão de exoneração do Chefe do Governo e consequente queda do executivo; Instruir as estruturas competentes do partido a accionarem todos os mecanismos legais e políticos com vista a reposição da legalidade constitucional e democrática; Encorajar o Conselho Nacional de Jurisdição a prosseguir a sua acção disciplinar contra todos os que incorram na infracção do artigo 15º alínea o) dos Estatutos do Partido, que reza: E dever de todo o militante do partido ”não apresentar candidatura a qualquer cargo electivo do Estado ou nas Autarquias e não aceitar o exercício de qualquer função governativa, fora do quadro previsto nos presentes estatutos e regulamentos”. Manter em aberto e reforçar os mecanismos de dialogo com Sua Excelência o Senhor Presidente da Republica e com os demais órgãos da soberania, demonstrando o interesse e a disponibilidade do partido em priorizar a via do dialogo construtivo; Expressar todo o seu apreço e enorme satisfação, ao mesmo tempo que encorajar ao reforço das grandes manifestações de solidariedade tanto a nível interno como internacional, em exigência ao respeito do primado da legalidade, como condição de se preservar a paz e a estabilidade no país. Apelar aos militantes, simpatizantes e o povo guineense, em geral a manterem-se atentos e determinados a defenderem as conquistas democraticas e o respeito pela legalidade constitucional. Agradecer o empenho com que a Comunidade Internacional tem seguido os desenvolvimentos da situação politica e enaltecer os esforços continuados do Secretario Geral das Nações Unidas, dos Chefes de Estado da CEDEAO, nomeadamente dos Presidentes do Senegal, da Guiné-Conacry e da Nigéria, e mantê-los informados sobre todas as questões que se prendem com as decisões politicas que vão sendo assumidas pelos diferentes intervenientes políticos e que consubstanciam as bases para preservar os valores consagrados na Constituiçao e demais leis da Guiné-Bissau; Encorajar a Direcção do Partido a prosseguir e alargar os contactos junto dos parceiros internacionais, nomeadamente com a CEDEAO, a CPLP, a UA, a UE e o sistema das nações unidas; Reiterar as deliberações da última sessão do Bureau Politico referentes a retoma do diálogo e a reposição da legalidade democrática e constitucional. O Bureau politico se congratula com a forma serena, mas aberta e franca como os debates se desenrolaram, o que permitiu a cada responsavél defender os seus pontos de vista e no final, colocar os interesses colectivos e do partido em primeiro lugar. Bissau, 22 de Agosto de 2015 O Bureau Politico

Guiné-Bissau: Um Estado virtual

O Conselho de Segurança das Nações Unidas manifestou-se, obviamente, preocupado com a actual crise política na Guiné-Bissau, mais uma de tantas, e pediu aos diferentes órgãos de soberania, claro, o que parece ser quase impossível: o diálogo e o consenso na resolução das suas divergências. Diálogo e consenso são coisas de que normalmente os políticos guineenses se têm mostrado incapazes, desde os tempos em que alguns guerrilheiros preferiram facilitar a vida às autoridades coloniais a terem um diálogo sério com Amílcar Cabral sobre as divergências existências quanto à melhor forma de a Guiné se poder tornar independente. Diálogo foi o que faltou ao relacionamento do primeiro comissário (primeiro-ministro) João Bernardo Vieira, "Nino", com o Presidente Luís Cabral, tendo preferido derrubá-lo e forçá-lo ao exílio. Diálogo foi o que faltou a "Nino", já depois de ter chegado à chefia do Estado, com o primeiro-ministro Victor Saúde Maria, que mandou colocar em prisão domiciliária. Diálogo foi o que faltou ao brigadeiro Ansumane Mané para se procurar entender com "Nino", sem a necessidade de se colocar à frente de uma Junta Militar e de fazer largos meses de guerra a um Presidente que, para tentar sobreviver, pediu a ajuda do Senegal e da República da Guiné. Estes são apenas alguns dos múltiplos exemplos das ocasiões em que os guineenses não souberam dialogar, antes avançando para o achincalhamento, para a traição e para outras práticas muito pouco democráticas. Vem-nos agora dizer o antigo Presidente timorense José Ramos-Horta, que já representou em Bissau o secretário-geral das Nações Unidas, que a crise resulta "de uma Constituição que foi cozinhada em Portugal, sem qualquer consideração à realidade social da Guiné-Bissau, mas encomendada e absorvida na Guiné-Bissau, logo a seguir ao derrube do Presidente Luis Cabral". A partir desse primeiro golpe, o de "Nino" Vieira contra Luís Cabral, a Guiné-Bissau nunca mais conheceu paz. Mas, como o próprio Ramos-Horta foi capaz de reconhecer, esse modelo constitucional não desculpa tudo. Claro que não desculpa, pois que já no tempo da luta armada havia fortes conflitos, com certos combatentes mais interessados numa Guiné que fosse só para negros do que em trabalhar com os comandantes cabo-verdianos que se haviam prestado a estar com eles numa causa comum. O mal é muito antigo e tem algo a ver, conforme já o cheguei a sublinhar, com o facto de não haver muito mais gente alfabetizada, para se poder alargar o leque das escolhas possíveis para a governação do frágil país. A falta de um número maior de quadros e de cidadãos devidamente letrados, que não se deixassem arrastar em aventuras, sejam elas conduzidas por caudilhos militares ou civis, poderá explicar a agitação quase permanente que se vive na Guiné-Bissau, uma terra que devidamente aproveitada até dava para todos viverem de uma forma aceitável. Como o regime colonial não teve o cuidado de alfabetizar 15 ou 20 por cento da população que fosse, e como nas primeiras décadas da independência não se generalizou a alfabetização, que deveria ter sido em massa, chegamos a esta altura da História com um grande défice de cultura cívica. Ainda há muitos guineenses a pensar, em primeiro lugar, como balantas, manjacos ou mandingas, e não como cidadãos de um país novo que importa levar para a frente, recorrendo aos múltiplos recursos naturais de que dispõe, como o petróleo, o ouro, os fosfatos e as bauxites. Só assim se explica, pela ausência de 100 ou 200 bons políticos, credíveis, formados em devido tempo, e não à pressa, que tenhamos na Presidência da República da Guiné-Bissau um senhor que não é capaz de estabelecer consensos com a Assembleia Nacional Popular nem com a direcção dos principais partidos políticos. Quando o Presidente José Mário Vaz demitiu o primeiro-ministro Domingos Simões Pereira e foi chamar para o seu lugar um polémico indivíduo chamado Baciro Djá ficou patente que este deveria ter muita dificuldade em constituir equipa, à margem das pessoas que nos últimos dois ou três anos já têm passado pelo Governo. Apertado, isolado, temendo pela vida, bem poderá José Mário Vaz solicitar ao seu vizinho setentrional, o Senegal, que lhe envie tropas de elite, a protegê-lo a ele e ao seu novo e quiçá efémero primeiro-ministro. Não é assim que se resolvem as situações, alheando-se do sentimento da maioria da população e pedindo a alguns estrangeiros que nos protejam, com a eventual promessa de que também nós iremos proteger os seus interesses, nomeadamente na exploração de recursos nas águas que nos são comuns. Se José Mário Vaz e Baciro Djá só conseguirem ficar nos seus lugares sob a protecção de uns quantos comandos senegaleses, muito mal vai a Guiné-Bissau, uma vez mais. E de nada lhe servirão os muitos apoios que lhe foram prometidos durante a mesa redonda de Bruxelas. Teria sido tudo em vão, tanto o afastamento dos militares golpistas como as eleições do ano passado e a tão elogiada mesa redonda. Tudo fogo fátuo. Num território onde a crise parece ser a forma permanente de vida, só aqui e ali intervalada por uns ténues lampejos de esperança. É esta a triste realidade!

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Meu sangue latino

A playa de Matalascañas foi uma das minhas descobertas do início dos anos 80, pois lá passei um dia e uma noite (na pensão Abelardo). Também conhecida por playa de Castilla, à beira das marismas do Guadalquivir e do Santuário de El Rocio. Ficou-me gravada no coração, tal como Antequera, la plaza de toros de Ronda (a mais antiga de Espanha), Córdoba, Granada, Ceuta...Europa, minha pátria, que tanto amo, cuando estoy de ti lejos...Quisera ser tanta coisa em tanto lado! Ir cortar o cabelo a Almeria, fazer amor em Sevilha, ver nevar em Copenhaga. Um dia subi a um monte, perto de Oslo, e fiquei a olhar a paisagem. Quando conheci Amesterdão senti-me velho. Em Dusseldórfia comi carne de porco. Em Berlim passeei pela floresta, em Grunewald. Saudade. Em Formentera a água estava tão quente que mal me lembro de outra assim. Em Aix-e-Provence tomei café sob os plátanos. Saudade. No Chateau d'IF visitei a cela do abade Faria. Em Buenos Aires, aonde nunca fui, palpita o meu sangue latino. Eis um retrato de mim, Jorge, 1971/1985

terça-feira, 11 de agosto de 2015

E agora, eu?

Se tento comunicar-me, o que há é apenas a noite e uma espantosa solidão. Assim escreveu Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) e assim o penso, o sinto, muitas vezes eu. Devo seguir até ao enjoo? Posso, sem armas, revoltar-me? perguntou o poeta mineiro, que um dia chegou a ler uns parcos versos meus, que lhe foram mostrados por um amigo comum, o Eduardo Chianca de Garcia. E com essas perguntas me identifico. Em vão me tento explicar, os muros são surdos. Que poderia ele; e que posso eu fazer? Perdi os melhores amigos. Já não tento qualquer viagem. "Sinto que o tempo sobre mim abate sua mão pesada. (...)Uma aceitação maior de tudo, e o medo de novas descobertas". Se eu pudesse recomeçar os meus dias! Usar de novo a minha adoração pelos deuses que tive. "Vejo tudo impossível e nítido". E depois das memórias vem o tempo trazer novo sortimento de memórias, até que, fatigado, me recuso, como ele, e não saiba já se a vida é ou se de facto foi. E agora, José? E agora, Carlos? E agora, eu? Jorge Heitor 30 de Novembro de 2014

Figo: Jogadas africanas

Foi um encontro casual. Luís Figo ia para Angola e Veríssimo Nancassa, ex-ministro guineense e antigo quadro do Banco Mundial, preparava-se para embarcar para Dacar, no Senegal. Os dois cruzaram-se na zona lounge do aeroporto de Lisboa. “Já nos conhecíamos e cumprimentámo-nos. Em conversa disse-- lhe que estava no sector das minas e ele respondeu que já tinha pensado investir na área. Nasceu assim uma parceria”, recorda à SÁBADO o actual sócio do ex-futebolista, a partir da capital senegalesa. Pouco mais de três anos depois desse encontro, a empresa que Luís Figo criou em 2010, a Damash Minerals, tem duas concessões no Senegal, quatro na Guiné-Conacri e está em negociações com os governos do Burquina Faso, Mauritânia, Mali e Brasil. A entrada de Figo no sector mineiro terá acontecido no fim de 2009. “Na época eu estava a trabalhar com a West Africa Mining Holding e, como ele ficou interessado, convidámo-lo a fazer parte da empresa”,diz Veríssimo Nancassa. A holding alemã, sediada em Zug, na Suíça, controlava e tinha participações em várias empresas com explorações no Senegal e na Guiné-Bissau. Em Março de 2010, a própria companhia anunciou que o ex-futebolista se comprometeu a adquirir 11% da holding através da sua firma, a DamafhSGPS, e que seria eleito para a comissão executiva do grupo. Em Abril desse ano,o futebolista terá chegado a participar no Salão Internacional das Minas, em Dacar, como representante do grupo. No entanto, a compra acabou por não se realizar. “Houve contactos e negociações, mas o negócio nunca se concretizou”, diz à SÁBADO Luís Figo, através do seu advogado. NO ENTANTO, O INTERESSE do futebolista pela área aumentou. “Luís Figo estudou várias possibilidades de negócio que lhe foram surgindo na área de exploração mineral, na componente de minérios e na petrolífera”, explica o advogado. A 29 de Junho de 2010,registou na conservatória do registo comercial de Almada a sociedade Damash Minerals – Exploração Mineira, Lda., com sede na Rua Mário Botas,na Aroeira, dedicada à prospecção, extracção, preparação e exploração de minérios metálicos e à importação,exportação, distribuição e venda dos respectivos produtos. (...) NUNO TIAGO PINTO/Sábado 2012

Fidel faz 89 anos

Todos os homens sonham, mas não sonham de igual modo. E um dos que mais sonhou, neste último século, foi Fidel Castro Ruz, de ascendência galega, oriundo de uma família que vivia no Noroeste da Península Ibérica e que a dada altura emigrou para Cuba, nas Caraíbas. Fidel, que faz agora 89 anos, derrotou o ditador Fulgêncio Batista, enfrentou os Estados Unidos e libertou o povo cubano da subordinação ao grande vizinho norte-americano. O galego, que vive da terra e do mar, a norte do rio Minho, é por natureza um sonhador, um homem que vai muito além do Cabo Finisterra e que leva a sua vivência ao resto do mundo. "Galiza ficas sem homens que possam colher teu pão", escreveu a poetisa Rosalía de Castro, ao falar do grande drama da emigração, que só no ano de 1853 atirou com dois milhões de galegos para as Américas, devido à seca e à crise agrícola, que se fazia sentir naquela parte da Espanha. Foi nessa Galiza devastada que em 4 de Dezembro de 1892 nasceu Angel Castro, pai de Fidel. E dela partiu, aos 20 anos, para ir combater pela Espanha, em Cuba, contra os norte-americanos. Depois, em 13 de Agosto de 1926, às duas da manhã, no meio de um grande ciclone, nasceu Fidel Alejandro Castro Ruz: "Nasci guerrilheiro, porque nasci a meio da noite", contaria ele um dia a Frei Betto, sacerdote brasileiro. Como a mãe não foi a esposa oficial do pai, María Louisa Argota, mas sim uma empregada da casa, Lina Ruz, Fidel desenvolveu desde pequeno um certo sentimento de clandestinidade, que o levaria a lutar contra os poderes instituídos e a procurar forjar uma cultura cubana totalmente nova, de que o mundo inteiro viesse a falar. Filho espiritual de José Martí, herói da independência, Fidel nunca teve verdadeiramente uma fé religiosa, porque toda a sua força foi concentrada na aquisição de uma fé política, inabalável, que faria mover montanhas, até os Estados Unidos compreenderem, de uma vez por todas, que Cuba nunca se iria vergar aos seus intentos. Dias depois de ter entrado na Havana, vencedor, depois dos anos de guerrilha, Fidel tinha uma aura equiparável à de Cristo. Ele era o Messias de um tempo novo, o herói de Sierra Maestra, o chefe que tantos iriam admirar, tanto na América Latina como na África e na Ásia. Muito mais tarde, em Agosto e Setembro de 1975, Fidel enviou para Angola alguns dos mais importantes oficiais das suas Forças Armadas, de modo a que o MPLA não fosse derrotado pela FNLA, pela UNITA ou pela África do Sul. E quando chegou Novembro já não eram só oficiais, mas sim batalhões inteiros. El Comandante assistiu à partida de barcos e barcos carregados de soldados, para que Angola fosse verdadeiramente independente e dirigida por António Agostinho Neto; e não por Holden Roberto ou por Jonas Malheiro Savimbi. Na Primavera de 1977, Fidel Alejandro Castro Ruz fez uma viagem triunfal à Argélia, Líbia, Iémen do Sul, Somália, Etiópia, Tanzânia, Moçambique e Angola. "Os sentimentos irão para além dos estreitos horizontes das fronteiras de um país", disse então "O Príncipe da Guerrilha", como lhe chamou Georgie Anne Geyer, num livro publicado em 1991 em Boston, Toronto e Londres. Hoje em dia ele já não é mais o chefe formal de Cuba, devido à idade avançada; mas continua a reflectir sobre o que se passa pelo mundo fora e a publicar artigos sobre os principais problemas da humanidade. Jorge Heitor 11 de Agosto 2015

terça-feira, 2 de junho de 2015

Costa do Marfim: Em ano de eleições

Pilhado e incendiado na sequência das violentas manifestações anti-francesas de 2004, o maior liceu francês de Abidjan, centro comercial da Costa do Marfim, reabriu oficialmente as suas portas esta semana, depois de 11 anos de encerramento. E a reabilitação custou 11 milhões de euros. O país, que no original se intitula Cote d'Ivoire, manteve fortes laços com a França depois de se ter tornado independente, em 1960. O desenvolvimento da produção do cacau para exportação e o investimento estrangeiro fizeram dele um dos mais prósperos da África Ocidental, mas não o protegeram de alguma agitação política. Em Dezembro de 1999, um golpe militar derrubou o Governo; e o líder da junta que se seguiu, Robert Guei, deturpou as eleições efectuadas em finais de 2000, proclamando-se ilegalmente vencedor. Mas o protesto popular obrigou-o a retirar-se e levaram ao poder o historiador socialista Laurent Gbagbo. Depois, políticos da oposição e militares desencantados tentaram novo golpe em Setembro de 2002, do que resultou uma rebelião e uma guerra civil, que terminou em 2003 com o país partido ao meio: os rebeldes no controlo do Norte e o Governo no Sul, com uma zona tampão entre eles. Em Março de 2007, o Presidente Gbagbo e o antigo líder rebelde das chamadas Forças Novas, Guillaume Soro, assinaram um acordo pelo qual este último passava a ser primeiro-ministro. Mais tarde, nas eleições de Novembro de 2010, o liberal Alassane Dramane Ouattara ganhou, mas Gbagbo não aceitou passar-lhe o testemunho, pelo que tivemos cinco meses de impasse. Até que, em Abril de 2011, depois de muita luta, Gbagbo foi à força afastado do poder por partidários de Ouattara, antigo quadro do Fundo Monetário Internacional (FMI). Milhares de capacetes azuis das Nações Unidas e centenas de soldados franceses ficaram na Costa do Marfim, para garantir que a situação se iria normalizar, de acordo com o desejo do FMI, dos Estados Unidos e de outras instâncias. O triunfo do liberalismo O desejo do liberal Ouattara, muito amigo de Nicolas Sarkozy, é reconstituir as infraestruturas de uma antiga colónia que teve como primeiro Presidente Félix Houphouet-Boigny, aquele que transferiu a capital de Abidjan para a sua terra natal, Yamassoukro, onde ergueu uma catedral à imagem e semelhança da de São Pedro, em Roma. Muitos dos partidários do Professor Laurent Gbagbo refugiaram-se no vizinho Ghana, enquanto ele se encontra na Haia, a aguardar julgamento pelo Tribunal Penal Internacional. As próximas eleições presidenciais vão ser em Outubro, com probabilidade de reeleição de Ouattara, apadrinhado pela grande finança internacional, que o considera um homem providencial e o salvador de um país que andava à deriva, nos tempos do socialista Gbagbo. Ele é um homem do Norte, com laços ancestrais ao Burkina Fasso, que antigamente se chamava Alto Volta. Nasceu em Dimbokro, no centro, em 1942, e aos 20 anos terminou o liceu em Ouagadougou, a capital burkinabe. Depois, com uma bolsa norte-americana, prosseguiu os estudos nos Estados Unidos, tendo-se doutorado em ciências económicas na Universidade da Pensilvânia, em Filadélfia. Seguiu-se a entrada no FMI, em Washington, no ano de 1968. Cinco anos mais tarde, Ouattara foi recrutado para o Banco Central dos Estados da África Ocidental (BCEAO), que tinha então a sede em Paris, antes de em 1978 a haver transferido para 1978. O socialista Gbagbo Quanto ao antigo Presidente Gbagbo, nasceu dia 31 de Maio de 1945 em Gagnoa, numa família católica, e estudou História na Universidade de Abidjan, depois do que passou para a Sorbonne, em Paris, de onde saiu para leccionar na Costa do Marfim, onde se envolveu em actividades políticas que em 1971 o levaram à cadeia. Em 1980 Gbagbo passou a director do Instituto de História, Arte e Archeologia Africana da Universidade de Abidjan, depois do que formou a Frente Popular Marfinense e passou pelo exílio na França, onde contava com toda a simpatia e solidariedade do Partido Socialista. Em Abril de 1990 o histórico Houphouët-Boigny, do qual Alassane Dramane Ouattara chegou a ser primeiro-ministro, reconheceu os partidos da oposição e marcou eleições multipartidárias, que ganhou, mas em 1993 viria a morrer, tendo-lhe sucedido o ministro das Finanças, Henri Konan Bédié, que em 1999 foi deposto pelo golpe do general Robert Gueï. É assim, com uma séria de acidentes de percurso, que tem vindo a decorrer a vida do maior produtor mundial de cacau.